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Vídeo: Pacheco Pereira e Sousa Tavares discutem sobre as touradas

O historiador José Pacheco Pereira e o jornalista Miguel Sousa Tavares pegaram-se sobre as touradas, durante um debate promovido pela TVI.

Em causa estava o projeto do Governo para aumentar a idade mínima para ver uma tourada, dos 12 para os 16 anos.

As hostilidades foram abertas por Pacheco Pereira, para quem “não faz sentido permitir as touradas”, independentemente da idade do público.

“Há uma maneira muito simples de definir as touradas: é um espectáculo público em que se tortura um animal”, afirmou.

Assim que pôde responder, Miguel Sousa Tavares, que viu “umas seis touradas ao vivo” , rebateu que o espectáculo é particular, pois só entra “quem paga bilhete e quer ir”, e negou “a tortura do animal”.

“Isso é uma maneira de ver, está completamente errada”, defendeu o jornalista, lembrando que, com 16 anos, “pode-se casar em Portugal”.

Mas Pacheco Pereira não tinha esquecido a resposta ao argumento da tortura.

“Diga-me o Miguel o que é que se passa numa praça de touros. De onde é que vem o sangue?”

“Você nunca foi à natureza”, reagiu o jornalista: “Os animais deitam sangue, as árvores deitam sangue”.

“Um dos argumentos mais ridículos para defender as touradas é que gostam imenso dos touros. Depois, levam-nos para lá e enfiam-lhes coisas nas costas”, provocou o historiador, insistindo para que Miguel Sousa Tavares dissesse “o que se passa” nas arenas.

O jornalista passou a defender “o toureio em pé”, com Pacheco Pereira a lembrar as lutas dos gladiadores.

“Você acha que é uma barbaridade, eu acho que é um espectáculo muitíssimo bonito. Você tem o direito de contestar, não tem é o direito de proibir o que não gosta”, apontou Miguel Sousa Tavares.

O historiador lembrou os “300, 200 anos” a obter direitos “adquiridos”, incluindo para os  animais. E insistiu: “Diga-me que ninguém tortura o animal”.

Sousa Tavares não o disse. “Não tem outro argumento?”, pediu, passando depois ao contra-ataque: “Diga-me que defende a extinção dos touros de morte”.

A “habilidade” deixou Pacheco Pereira abanado por uns segundos.

“Miguel, faça um esforço, pense em si mesmo como um animal. Gosta do que lhe vai acontecer?”

“Está nos genes dele”, respondeu o jornalista: “É um animal de combate, é como querer transformar um leão num cachorrinho, não se consegue”.

O debate ia em quase dez minutos quando o moderador teve de intervir, depois de um comentário de Sousa Tavares: “Porque é que [o combate] não é desigual?”

“Salte para dentro da praça de touros e vai ver se é desigual”, respondeu o jornalista.

Pacheco Pereira insistia com “a tortura do animal” e o “sangue”, Sousa Tavares reagia que “ninguém obriga ninguém a ir a uma tourada” e com “o Facebook, muito mais perigoso” do que a tauromaquia.

“A tourada faz parte de uma cultura machista”, continuou Pacheco Pereira, lembrando os combates a outras “tradições solidamente ancoradas na cultura”, como “bater na mulher”.

“Depois chega a tourada e acha-se normal que se torture um animal”, reforçou.

“O touro é um animal de combate”, concluiu Miguel Sousa Tavares.

Veja aqui o debate na íntegra.

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