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“Vejo as investigações trabalharem para a prescrição dos casos”, acusa Ana Gomes

Em entrevista à RTP, Ana Gomes sugeriu que exista “interesse, conivência, se calhar captura” das autoridades judiciais e políticas, perante casos de corrupção e criminalidade, como os que foram expostos por Rui Pinto.

“Uns leaks são bons para investigar, outros não, designadamente os Footlball Leaks que Rui Pinto expôs – que uma magistrada e uma juíza consideram que não podem ser usados porque foram obtidos de forma ilegal”, criticou.

A diplomata, que suspendeu funções, destaca que “Rui Pinto não só expôs criminalidade relacionada com o futebol, como também criminalidade económica, com implicações políticas, que abrange tudo…”

“O que Rui Pinto expôs não se pode ignorar. A partir do momento em que a informação está no domínio público não pode ser ignorada”, salienta.

Ana Gomes fala em “captura” e sugere que há interesses em que os processos prescrevam.

“Se calhar há interesse, conivência, se calhar captura. Não é neste país que temos um magistrado do Ministério Público já condenado por corrupção? Não temos agentes da Polícia Judiciária condenados por orquestração para crime organizado? É evidente que o sistema da justiça e político são particularmente vulneráveis e apetecíveis por parte dessas organizações criminosas. Estamos a falar de crime organizado”, afirma.

Ana Gomes, que prossegue a sua luta contra a corrupção, lamenta que as “diversas denúncias anónimas que fui Pinto fez para o Ministério Público e não tenham sido investigadas”.

“Eu estou farta de fazer denúncias, que não são anónimas, e nada é investigado. E vejo as investigações trabalharem para a prescrição dos casos”, acusa.

O que Rui Pinto pôs cá fora – “e ainda há muita coisa por divulgar” – deveria levar as autoridades a convidarem-no para colaborar com a investigação.

“Agora, ele não está disponível só para colaborar, como quer o Ministério Público, para se incriminar. Ele deveria ser o amigo hacker das autoridades e não estar a ser tratado como inimigo. Espero que em tribunal se possa contrariar o enviesamento e encarniçamento contra Rui Pinto. Está registado que Rui Pinto fez diversas tentativas de denúncias pelos canais do Ministério Público que não viu nada acontecer”, aponta.

Também o caso de alegada extorsão à Doyen merece um reparo, mas em direção à Justiça:

“Rui Pinto nega. É o único crime que lhe é imputado que justifica a prisão preventiva. E eu pergunto: quantas pessoas acusadas por tentativa de extorsão estão, ou estiveram, em prisão preventiva neste país? Eu peço ao Ministério Público que me diga quantas outras. Rui Pinto está em preventiva há quase um ano por um único crime de extorsão”.

Ana Gomes considera que o país “não tem uma estratégia de combate à corrupção”. E é para combater essa falha que fez uma pausa na sua carreira diplomática, “para falar livremente”.

“Foi por isso que pedi uma licença sem vencimento no Ministério dos Negócios Estrangeiros”, realça.

“Este combate tem que se travar. A corrupção está de tal maneira espalhada… Há forças negras”, conclui.

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