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ONU preocupada com violência nas eleições brasileiras

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse hoje, em comunicado, estar “profundamente preocupada” com o clima de violência nas eleições do Brasil e apelou aos líderes políticos brasileiros que condenem explicitamente os atos violentos.

“Pedimos aos líderes políticos e aqueles com influência, que condenem publicamente qualquer ato de violência durante esse período eleitoral delicado, e a chamarem todos os lados para que se expressem de forma pacífica e com o total respeito pelos direitos dos demais”, afirmou a porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani.

Numa declaração emitida em Genebra, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos deixou claro que a situação brasileira tem sido considerada como “delicada” por parte do organismo internacional e pede investigações imparciais sobre os crimes registados, segundo o jornal Estadão.

Nos últimos dias, foram registados no Brasil diversos casos de agressão motivados por questões políticas.

Além do ataque à faca perpetrado contra o candidato do Partido Soclial Liberal (PSL) Jair Bolsonaro, num ato de campanha em Juiz de Fora, foi também registado um assassinato no decorrer do processo eleitoral.

Em Salvador da Bahia, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa foi assassinado à facada dentro de um bar, na passada segunda-feira, depois de se envolver numa discussão na qual defendia o candidato do Partido dos Trabalhadores (pt), Fernando Haddad.

O suspeito de ter cometido o crime foi identificado como sendo um apoiante de Jair Bolsonaro.

Quando questionado acerca do assassinato, o candidato do PSL respondeu: “A pergunta deveria ser invertida. Quem levou a facada fui eu. Se um homem que tem uma camisa minha comete um excesso, o que tem isso a ver comigo? Eu lamento, e peço às pessoas que não pratiquem isso, mas eu não tenho controlo”, afirmou.

Na ONU, o apelo é ao respeito. “Condenamos qualquer ato de violência e pedimos investigações imparciais, efetivas e imediatas sobre tais atos”, declarou a porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani.

A declaração emitida pela Organização das Nações Unidas não cita nem o nome do candidato Jair Bolsonaro, nem o de Fernando Haddad.

“O discurso violento e inflamatório destas eleições, especialmente contra LGBTs (Silgla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros), mulheres, afro-descendentes e aqueles com visões políticas diferentes, é profundamente preocupante, especialmente tendo em conta os relatos de violência contra tais pessoas”, disse Ravina.

Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais brasileiras do passado domingo, com 46,7 por cento dos votos, seguido de Fernando Haddad (Partido dos Trabalhadores), com 28,37 por cento, resultado que ditou a necessidade de uma segunda volta entre os dois candidatos, já que nenhum obteve mais de 50 por cento.

A decisão sobre o sucessor de Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil ficou adiada para 28 de outubro.

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