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“Usei o exemplo do avô e da avó, e não o fiz por acaso”, admite Daniel Cardoso

Daniel Cardoso está no olho do ‘furacão’, depois das polémicas declarações feitas no programa ‘Prós e Contras’. O professor universitário reage a ameaças e a tudo que tem sido dito e escrito sobre si (na imprensa e nas redes sociais) e, em entrevista ao Diário de Notícias, explica que não foi “por acaso” que usou “aquelas figuras a quem no nosso imaginário atribuímos (pelo respeito, pela idade) uma série de poderes e direitos”.

“Uma parte de mim não sabe, porque eu já disse coisas potencialmente bem mais chocantes…”, assume o académico, em entrevista o Diário de Notícias, explicando que o exemplo usado não foi ao acaso.

“Usei o exemplo do avô e da avó, e não o fiz por acaso. Usei aquelas figuras a quem no nosso imaginário atribuímos (pelo respeito, pela idade) uma série de poderes e direitos”, diz.

Sobre as ‘ondas de choque’ que as suas palavras provocaram, Daniel Cardoso considera que tal acontece pois estas mexem “com valores muito centrais para as pessoas, que são os valores do respeito pelos mais velhos e pela família tradicional”.

“Isto perturba as pessoas, porque mexe com a sensação de pureza e da naturalidade das relações familiares”

Daniel Cardoso pede ainda que se faça uma interpretação das suas palavras.

“Não ataquei nem o papel da família tradicional nem a importância da boa educação”, salienta Daniel Cardoso, admitindo ainda que “nas discussões nas redes sociais é muito fácil descer ao ódio e ao discurso desumanizante”.

“Já não sei a quantidade de pessoas que vieram ter comigo desde o programa a contar que foram obrigadas a dar o beijinho à pessoa que antes ou depois a molestou sexualmente.”

Sobre as ameaças que tem recebido e críticas, o professor universitário não nega que existem coisas que o “afetam”.

“Como a quantidade de vezes que as pessoas sugeriram que fosse violado ou assassinado ou que me suicidasse.”

O docente explica também como lida com as reações com que teve de lidar, algumas delas sobre orientação sexual: “Agora, pessoas que me chamam gay, ou efeminado, ou criticam o meu aspeto, precisam de entender melhor como é que funciona a dinâmica do insulto.”

O professor universitário deixa ainda mais uma ideia em defesa da teoria que levantou no programa.

Nesta entrevista ao DN, Daniel Cardoso aproveita para explicar que “a banalidade do mal não está nas redes sociais, está nas pessoas” e dá o exemplo das discussões na Assembleia da República.

“Eu às vezes ligo a ARTV e ouço discursos com palavras mais caras, com um discurso mais rico e com palavras com mais sílabas, mas em que o nível não é assim tão mais elevado do que o das redes sociais.”

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