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Animais mortos nos incêndios levantam “questões graves de saúde pública”, alerta bastonário dos veterinários

O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários lamentou a inexistência de resposta para animais em caso de catástrofes, como ficou evidente nos incêndios de 2017. “Isto levanta questões graves de saúde pública”, alertou.

Em entrevista ao I, Jorge Cid recordou as ações solidárias que permitiram salvar muitos animais durante os incêndios de 2017, uma vez que a resposta das autoridades tardou em demasia.

“Em 24 horas, tínhamos alimentação nos locais. Para pequenos animais é mais fácil, porque qualquer pessoa transporta um saco de ração, mas para grandes animais é difícil”, salientou o bastonário, referindo-se, por exemplo, ao gado.

“Em Portugal, ainda não há plano nenhum de contingência para catástrofes. Não há nenhuma resposta organizada para dar em caso de catástrofe, seja incêndios, cheias ou tremores de terra”, insistiu.

“A Proteção Civil só está preparada para a parte das pessoas em si. No que diz respeito à parte animal, ainda não há nada”, alertou Jorge Cid.

No caso da alimentação para os animais, a resposta do Governo “demorou cerca de 10 dias”, salientou.

Para além dos animais domésticos, houve muitos animais selvagens a perecer nos incêndios, como “veados, corsos e javalis”.

“Estes animais também morrem e ficam nos terrenos. “Isto levanta questões graves de saúde pública, porque há contaminação”, realçou Jorge Cid.

Com “a solidariedade dos portugueses”, os membros da Ordem conseguiram arranjar alimentação para “cerca de 400 ovelhas”, quando só na Serra da Estrela “morreram cerca de 5000”, insistiu.

O bastonário acrescentou ainda que, nos meios rurais, “ter animais é, muitas vezes, a forma que algumas pessoas têm de se sentir úteis”.

A concluir, manifestou a satisfação pela evolução na forma como a sociedade encara os animais, deixando uma ‘boca’ a uma classe de humanos: “Como há animais em cada vez mais famílias, os políticos já perceberam que os animais dão votos”.

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