Educação

Alunos falham quando é preciso explicar ou raciocinar, diz perito dos exames nacionais

Hélder Sousa, principal responsável pelos exames nacionais e pelas provas de aferição, critica fortemente o ensino em Portugal por promover a memorização da matéria em vez da capacidade de reflexão. Como prova, garante que as notas cairiam “significativamente” com um teste surpresa.

O diretor do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), a entidade responsável pelas provas mais temidas pelos alunos, salientou que os estudantes do ensino secundário saem mais prejudicados quando têm de recorrer ao “pensamento crítico”.

“Os próprios alunos não têm consciência disso”, explicou, em entrevista ao Observador.

“Há sempre aquele discurso, de quase pânico, de que a prova foi muito difícil. Não tem a ver com ser difícil”, insistiu: “Tem a ver com este processo e sermos capazes, ou não, de o fazer”.

E os alunos portugueses… não são capazes de pensar. No entanto, ‘safam-se’ por serem capazes de “decorar” a matéria.

“O problema é que nem sempre o que os alunos decoram é exatamente o que é pedido nos exames. E há logo perda de pontuação”, avisou.

Os exames nacionais são compostos por “três grandes categorias”: a reprodução do saber, a aplicação dos conhecimentos e a extrapolação.

De acordo com o especialista, quanto mais os alunos têm de extrapolar, pior é a nota final.

“Este comportamento de perda é tão evidente para os bons (os que têm mais de 15 valores) como para os alunos médios. A descida é constante quando passamos da reprodução de conhecimento para o raciocinar”, salientou.

Não é uma novidade: “Está reportado em relatórios do IAVE desde 2007”.

“Até os bons alunos falham quando é testada a capacidade de raciocínio. Desde pequeninos”, acrescentou.

Estas conclusões também provam que “grande parte das fragilidades dos alunos não tem a ver com os conteúdos” das disciplinas.

Em Portugal, “o ensino que se faz é o da superficialidade”, lamentou o especialista.

“Tenho quase a certeza de que se todos estes alunos fossem convocados de surpresa para fazer em outubro exatamente os mesmos exames que fizeram agora, as notas caíam significativamente”, concluiu o diretor do IAVE.

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