Hoje é dia

23 de julho, a guitarra de Carlos Paredes cala-se para sempre

No dia em que Amália nasce, morre Carlos Paredes, o guitarrista que mostrou ao mundo o poder da guitarra portuguesa. A 23 de julho, recorda-se o ‘homem dos mil dedos’, que partiu neste dia, em 2004.

“Quando eu morrer, morre a guitarra também. O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele. Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”

Carlos Paredes assina estas palavras. E teve de morrer neste dia, em 2004, no mesmo dia de julho em que Amália nascera. Paredes foi um dos grandes guitarristas do mundo e é um símbolo ímpar da cultura lusitana. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa.

‘O homem dos mil dedos’, ou o ‘mestre da guitarra portuguesa’ – alcunhas que herda, em virtude do seu talento – nasceu em Coimbra, a 16 de Fevereiro de 1925, filho de Artur Paredes, o grande mestre da guitarra daquela cidade, ambos membros de uma geração de talentosos guitarristas.

A mãe tenta que aprenda piano ou violino, apesar de aos 4 anos já receber aulas do seu pai. Narra Paredes, numa entrevista: “Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho”.

Carlos Paredes mantém um estilo ‘coimbrão’, quando se muda para Lisboa (o pai era trabalhador no BNU e é transferido para a capital, em 1934), mas os temas e composições estão muito para além de heranças ‘genéticas’. Lisboa também viria a marcar o estilo e a inspirar o seu trabalho.

Abandona o estudo de violino e dedica-se à guitarra, a sua paixão. Inicia-se o curso no liceu, que não termina, até que encontra emprego como funcionário no Hospital de São José. Em 1958, é preso pela PIDE, por oposição a Salazar, e acusado de pertencer ao Partido Comunista Português. É libertado um ano mais tarde, mas acaba por ser expulso da função pública.

Envolve a sua guitarra, que agarra com a delicadeza dos dedos. Toca ao lado de diversos artistas, desde Charlie Haden, a Adriano Correia de Oliveira, passando por Carlos do Carmo. Escreve músicas para filmes e grava o primeiro álbum, em 1967, com um nome óbvio: ‘Guitarra Portuguesa’.

Com a Liberdade, viria a ser reintegrado no Hospital São José, atuando em sessões culturais, musicais e políticas, por todo o país. Apesar do inesgotável talento, manteve-se fiel às suas origens, de um homem simples, que arquivava radiografias num hospital.

Uma doença no sistema nervoso central impede-o de amparar a sua guitarra portuguesa e durante os últimos 11 anos da sua vida nunca pôde tocar.

A mesma doença provoca-lhe a morte, a 23 de julho de 2004, em Lisboa. Foi decretado luto nacional, numa homenagem a Carlos Paredes, o guitarrista que teve de morrer, mas que permanece eterno e que hoje se recorda.

Nasceram neste dia Papa Clemente XI (1649), Étienne-Louis Malus, físico e matemático francês (1775), Philipp Otto Runge, pintor alemão (1777), Franz Berwald, compositor sueco (1796), Walter Schottky, físico alemão (1886), Haile Selassie, imperador da Etiópia (1892), Amália Rodrigues, fadista portuguesa (1920), Slash, ex-guitarrista dos Guns N’ Roses (1965), Philip Seymour Hoffman, ator norte-americano (1967), e Daniel Radcliffe, ator inglês da saga Harry Potter (1989).

Morreram a 23 de julho Philippe Pétain, militar e estadista francês (1951), Giuseppe Tomasi di Lampedusa, escritor italiano (1957), Montgomery Clift, ator norte-americano (1966), Van Heflin, ator norte-americano (1971), rei Hassan II de Marrocos (1999), Carlos Paredes, músico português (2004), e Amy Winehouse, cantora e compositora britânica (2011).

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