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“Sou do Benfica e se pudesse acabava com alguns adversários. Mas não posso”, diz André Ventura

A analogia de André Ventura na defesa das touradas, durante o debate no Parlamento de uma proposta de cidadãos, com 25 mil assinaturas, para acabar com financiamentos públicos à tauromaquia. O deputado do Chega criticou “a regra terrível” de querer “acabar com tudo o que não gostamos”. A proposta será votada na quinta-feira.

O Parlamento discutiu nesta terça-feira uma iniciativa legislativa que visava travar qualquer tipo de financiamento público a espetáculos tauromáquicos, através das autarquias locais.

O debate, no entanto, extravazou a sua essência (o questão do financiamento público) e colocou em confronto visões opostas sobre a tourada.

Mariana Silva, do PEV, colocou a tónica na “violência” da tauromaquia, “no sofrimento animal e no risco de vida para o toureiro”, para apoiar medidas que visem o fim desta atividade.

Por seu turno, o Bloco de Esquerda enfatizou que não se pretende proibir os espetáculos, mas apenas travar políticas públicas de incentivo.

“Não falamos em proibir. Falamos apenas em não incentivar e privilegiar a violência como política de Estado”, disse a parlamentar bloquista Maria Manuel Rola.

O PAN, por intermédio da deputada Inês Sousa Real, também se manifestou contra, apontando a incoerência de dinheiros públicos serem canalizados para touradas, quando faltam recursos em áreas prioritárias, como o Serviço Nacional de Saúde.

Também a deputada não-inscrita Cristina Rodrigues criticou os apoios à tourada, falando numa atividade que “não acolhe o interesse da maioria dos portugueses”.

André Ventura, deputado do Chega, defendeu a tauromaquia. E recorreu a uma analogia, apontando o dedo a quem pretende pôr fim a todos os espetáculos, desde que não provoquem simpatia.

“Criámos uma regra terrível em Portugal: querer acabar com tudo o que não gostamos. Eu, por exemplo, sou do Benfica e se eu pudesse, acabava com alguns adversários. Mas não posso”, disse André Ventura.

O PSD, por seu turno, destacou o elevado número médio de espectadores de tourada, que, segundo a deputada social-democrata Fernanda Avilez, “foi de 2200, atingindo o segundo valor mais alto da década”.

Por seu turno, Telmo Correia, deputado do CDS-PP, advoga que “uma discriminação negativa seria uma forma de censura e de imposição de uma ditadura do gosto”. Nesse sentido, os centristas entendem que a medida seria “absolutamente inconstitucional”.    

Mas não é apenas a direita que se mostra contra a tauromaquia. O PCP, pela voz da deputada lma Rivera, entende que “a tourada é uma prática instalada e enraizada”, pelo que “é natural” que os meios locais “estejam ao dispor da população”.

O PS defende que, embora a superintendência dos espetáculos tauromáquicos pertençam ao Ministério da Cultura, “não são atribuídos quaisquer apoios financeiros a espetáculos tauromáquicos”, por parte desse Ministério, garante a deputada socialista Maria da Luz Rosinha.

Os projetos discutidos ontem serão votados na próxima quinta-feira, sendo previsível um chumbo da proposta sobre a tauromaquia.

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