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Rio diz que é preciso apurar eventuais responsabilidades políticas e criminais na CGD

O presidente do PSD defendeu hoje que é preciso apurar eventuais responsabilidades políticas e criminais nas decisões de crédito da Caixa Geral de Depósitos (CGD) através da nova comissão de inquérito parlamentar e da investigação judicial.

Em declarações aos jornalistas, em Beja, Rui Rio disse que, em relação à CGD, “do lado da esquerda, há um discurso hipócrita”, porque há “sempre esta conversa” do “doa a quem doer” e do “é sempre até às últimas consequências”, mas “as pessoas percebem que isto não quer dizer nada, é uma forma de falar”.

“Aquilo que é preciso, efetivamente, é apurar [através da nova comissão de inquérito] as responsabilidades políticas que possam ter havido nas decisões e, no quadro judicial da investigação criminal, as responsabilidades criminais que possam ter havido”, afirmou, após ter reunido com a associação ACOS – Agricultores do Sul.

Segundo Rui Rio, a anterior comissão de inquérito à CGD foi “cortada abruptamente pelo PCP, pelo BE e pelo PS” e, por isso, “os deputados não tiveram possibilidade de ter acesso à auditoria” que a EY fez ao banco público a pedido do Governo.

Atualmente, disse, “aquilo que sabemos é que a auditoria” vai chegar ao parlamento “truncada, ou seja, o Banco de Portugal, sabe-se lá porquê, resolveu cortar os nomes” das “entidades que devem” e de “quem decidiu os créditos, que depois levaram os portugueses a pagar o balúrdio de impostos que se pagou”.

Por isso, “a comissão de inquérito passa a ter desde logo uma justificação para que, em vez da auditoria truncada, se consiga a auditoria toda e real, isto é fundamental”, frisou.

“Acresce que, entretanto, vai ser promulgada pelo Presidente da República uma lei que ainda mais facilita a que haja esse conhecimento. Portanto, a comissão de inquérito vai ter acesso a dados que as outras não tiveram, podiam ter tido se a esquerda não tivesse acabado com a comissão de inquérito, mas como acabou não tiveram”, sublinhou.

Desta forma, a nova comissão de inquérito “vai poder fazer naturalmente um trabalho mais aprofundado ainda do que a outra”.

“E, espero eu, chegar a responsabilidades de ordem política”, disse, referindo que, “em paralelo”, corre a investigação judicial no quadro do Ministério Publico para “que sejam apuradas as responsabilidades criminais que possam haver”.

“Os portugueses pagaram cinco mil milhões de euros [para a CGD], há uma parte que, seguramente, se deve à crise, não há necessariamente cinco mil milhões de euros de erros, mas há necessariamente uma parte substancial e isso tem de ser apurado, porque a banca não pode mandar nos bolsos dos portugueses desta forma”, defendeu.

Questionado sobre se receia que pessoas ligadas ao PSD sejam incriminadas, Rui Rio disse que “pode acontecer” que tenham sido “concedidos alguns créditos em vigências de conselhos de administração que foram nomeados por governos do PSD”.

“Mas, não tinha lógica nenhuma eu dizer não se faz nada, os portugueses não têm direito a saber nada, apesar de terem pago milhões e milhões de euros de impostos, porque pode aparecer lá uma ou duas pessoas nomeadas pelo PSD, isso não faz sentido nenhum”, frisou.

O PSD, “quando nomeia pessoas, nomeia para que façam o trabalho bem feito, não é para que façam o trabalho mal feito”, referiu, frisando: “Vamos ver se algum [nomeado pelo PSD] fez o trabalho mal feito”.

“Mas, para mim, há uma coisa que é clara: trabalho mal feito teve de haver, porque se não os resultados não eram estes”, disse, rematando: “Os resultados são absolutamente dramáticos”.

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