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Raminhos num raro testemunho sobre o problema de saúde que o afeta

António Raminhos esteve na CMTV a contar detalhes sobre o transtorno compulsivo-obsessivo, que o acompanha e, por vezes, limita a sua vida, ainda que o humorista tenha aprendido a viver com o problema.

“Não gosto de dizer que sofro de um transtorno de ansiedade, ou que tenho uma doença, porque já se integrou de tal maneira que faz parte de mim. E isso não tem de ter uma conotação negativa”, diz António Raminhos.

O humorista contou que padece de transtorno compulsivo-obsessivo, mas que aprendeu a viver com ele.

“Vou contornando o problema, como quem tem diabetes ou hipertensão, só que me afeta fisicamente e mentalmente. Não lhe dou a conotação negativa que as pessoas dão às doenças mentais. Até a palavra ‘doença mental’… Parece que somos malucos”, brincou.

Raminhos vive em momentos em que a dúvida o assalta, como em qualquer pessoa, mas é incapaz de as afastar da sua cabeça, o que lhe provoca ansiedade.

“O transtorno da ansiedade que eu tenho chama-se ‘transtorno compulsivo-obsessivo, que caraterizo como a doença da dúvida. A minha cabeça coloca-me dúvidas, como a todos nós, mas no meu caso são dúvidas que não são reais, ou que são pouco plausíveis, mas não sou capaz de as eliminar. E fico com extrema ansiedade”, conta.

“Cheguei a lavar 50 ou 60 vezes as mãos… Isto tem que ver com uma parte neurológica. Eu tinha o medo do contágio. Uma pessoa dita normal vê algo sujo e não liga. No meu caso, se eu vejo sangue de alguém faço um filme que não me sai da cabeça. Há uma componente neurológica. Os neurotransmissores não funcionam da mesma maneira e a informação está sempre a ser retida. Não consigo eliminá-la, o que gera essa ansiedade”, detalha o autor e humorista.

Nos palcos, António Raminhos não se liberta. Sente ansiedade “antes, durante e depois” de um espetáculo. Mas há um aspeto muito positivo, em virtude desta condição.

“Os meus espetáculos nunca são representação. São partilhas. Têm muito de comédia, mas sobretudo muito de verdade. Quando subo a um palco quero sair com a certeza de que aquilo que digo vá ajudar alguém. E consigo-o. Recebo mensagens nesse sentido”, refere ainda.

Raminhos considera que “todos nós somos obsessivo-compulsivos”. O problema é “quando isso limita o dia a dia”.

“Uma boa maneira de percebermos se somos obsessivos é: eu tenho uma ideia obsessiva e pergunto-me se tenho vergonha de contar a alguém. Se eu tiver vergonha, é porque não é muito natural…”, complementa, nesta entrevista à CMTV.

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