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Médicos “estão esgotados” e “Governo atira areia para os olhos dos portugueses”

Presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) critica o Governo, pela medida de apoio extraordinário, para recuperar os procedimentos adiados pela pandemia.

O presidente do SIM considera que o pagamento extra para recuperar a atividade suspensa pela pandemia “tem uma repercussão muito limitada”, uma vez que aqueles profissionais de saúde “estão esgotados”.

“É uma medida que, na prática, tem uma repercussão muito limitada, porque estamos a falar de médicos que, neste momento, estão esgotados. Além disso, não podem fazer essa atividade no horário de trabalho, só nas horas extra, e a esmagadora maioria já ultrapassou as 150 horas de trabalho extraordinário”, afirmou Roque da Cunha, citado pela agência Lusa.

A portaria que aprova um regime excecional de incentivos à recuperação da atividade assistencial não realizada devido à pandemia foi publicada nesta terça-feira.

Para Roque da Cunha, “é o Governo a atirar areia para os olhos dos portugueses”.

“Dos biliões do programa, estamos a falar de tostões para investimento no Serviço Nacional de Saúde”, sustenta ainda o presidente do SIM.

O responsável considera que é necessário investimento nas infraestruturas hospitalares, bem como nos equipamentos.

“Para se fazer cirurgias, é necessário fazer um conjunto de meios complementares de diagnóstico e muitos hospitais têm piores condições do que os privados”, lamentou ainda.

Roque da Cunha alerta ainda para o aumento das listas de espera, também como efeito da pandemia. Antes da covid-19, “já existiam listas de espera de um e dois anos”.

“Durante pandemia, o tempo continuou a correr, continuou a haver cancros e hérnias para serem operados e houve um acumular, perante um atraso que já existia e que era muito importante”, realçou ainda, citado pela agência Lusa.

Há um número indeterminado de consultas e procedimentos médicos que foram adiados, o que deixou doentes não-covid longe dos hospitais.

De acordo com os administradores hospitalares, estima-se que dezenas de milhares de cirurgias e mais de um milhão de consultas ainda não foram realizadas.

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