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“Ganhar em Vila Real foi regressar de um inferno” confessa Tiago Monteiro

Para Tiago Monteiro o acidente sofrido em 2017 durante testes foi um dos momentos mais difíceis da sua carreira.

O único piloto português a competir da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR) chegou a pensar que nunca mais voltaria a correr, dado o estado físico precário em que se encontrou após o infortúnio.

Numa entrevista ao WTCR Fast Talk presented by Goodyear Tiago lembra aquela fase complicada: “Quando falhei a primeira corrida (após o acidente) pensei, ok, haverá a próxima no Japão. Mas não conseguia ver bem. Não conseguia mexer-me. Mal podia levar um copo de água à bota com o meu braço direito. Por isso como poderia eu pensar em guiar?”.

“Depois não houve nada de físico durante seis meses. Disse, ok, acabou-se. Tive sorte suficiente para estar ali e sobreviver, por isso o meu objetivo passou a ser tentar ter uma vida normal, ser capaz de levar os meus filhos à escola e fazer compras. Mesmo se tivesse se usar óculos e não pudesse ver muito bem”, recorda o piloto do Porto.

Tiago Monteiro considerava-se com sorte, embora frustrado por não voltar às pistas naquela altura: “ Não parecia haver hipóteses de voltar a correr. E mesmo se queria fazê-lo será que valia a pena fazê-lo?”.

Só encorajado pela família e os que lhe são próximos, o piloto português da Honda foi aos melhores especialistas médicos para o ajudarem a ser o que já tinha sido. Meses de tratamentos, que lhe permitiram voltar às pistas episodicamente em Suzuka em 2018.

A competição em modo contínuo acabou por ser possível no ano passado. E, melhor do que isso Tiago conseguiu voltar a vencer, 415 dias depois do grande acidente e, ainda por cima, diante dos seus compatriotas, em Vola Real, em julho de 2019.

O piloto portuense enfatiza:  “Ganhei a minha maior corrida na mais complicada situação. Qualquer vitória em Portugal é importante. O regresso em Suzuka foi importante porque foi o primeiro passo para o meu regresso. Mas agora era apenas mais um concorrente e estava certo de que nenhum dos meus adversários me iria fazer um favor especial”.

“As luvas voltaram a ter uso. O nível dos pilotos era espantoso e o regresso foi em condições muito difíceis e durante algum tempo debati-me. Ganhar outra vez nas ruas de Vila Real foram, para dizer a verdade, o ponto mais alto da minha carreira, porque estava a regressar de um inferno”, destaca Tiago Monteiro.

Claro que o piloto português da Honda ainda tem o acidente de 2017 muito presente e o triunfo do ano passado na memória, mas a sua carreira de mais de 20 anos teve outros momentos altos, com destaque para a subida ao pódio, inesquecível, na Fórmula 1 no Grande Prémio dos Estados Unidos de 2005, ao serviço da Jordan. Isto sem falar de êxitos com a Seat, a marca que representou no WTCC entre 2007 e 2011, antes de começar a competir pela Honda.

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