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FMI mostra reservas em relação a reformas anunciadas pelo governo italiano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou hoje algum ceticismo em relação a reformas anunciadas pelo governo populista italiano, advertindo que têm riscos para a elevada dívida pública do país.

Numa altura em que Roma e Bruxelas mantêm um braço-de-ferro sobre o orçamento italiano para 2019, o FMI, num relatório sobre a economia italiana, lembrou que o principal desafio desta continua a ser impulsionar o crescimento.

“Os rendimentos pessoais estão ao nível de há 20 anos, o desemprego atinge quase 10 por cento (…) e a emigração está ao nível mais alto desde há quase 50 anos”, resumiu o FMI citando os fatores que levaram à chegada ao poder do Movimento Cinco Estrelas (antissistema) e da Liga (extrema-direita).

“O foco das autoridades no crescimento e na inclusão social é, por isso, bem-vindo”, acrescenta a organização.

O FMI recomenda “um conjunto de reformas estruturais, de consolidação orçamental através de medidas de qualidade”, com políticas que permitam um ligeiro excedente durante os próximos anos para “assegurar uma redução sólida da dívida”.

O governo italiano prevê um défice de 2,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 e de 2,1 por cento em 2020, com base numa previsão de crescimento de 1,5 por cento em 2019. Para o FMI, o crescimento da economia italiana pode ser de apenas 1 por cento e o défice orçamental pode ficar em 2,7 por cento do PIB em 2019 e em 2,8 por cento ou 2,9 por cento em 2020.

Segundo a organização, a dívida pública deve manter-se em cerca de 130 por cento do PIB nos próximos três anos colocando o país à mercê de “pequenos choques” suscetíveis de obrigar à adoção de medidas de austeridade, que transformariam um crescimento fraco em recessão.

O FMI manifestou particular preocupação com a promessa do governo de baixar a idade da reforma, “impondo um fardo mais pesado às gerações futuras” e lembrou que as saídas do mercado laboral para a reforma não seriam compensadas por contratações comparáveis.

A instituição saudou, no entanto, a intenção do governo de aumentar o investimento público nos próximos anos e mostrou-se favorável ao princípio de um rendimento mínimo garantido para os mais desfavorecidos.

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