País

Por dia, o 112 recebe 25 mil chamadas, 75 por cento são ‘equívocos’

112 Chamadas por diaDe todas as chamadas feitas para o 112, três em cada quatro não são emergências. Estatística que se agrava quando há 25 mil chamadas por dia, em média. São números da Polícia de Segurança Pública (PSP), divulgados no Dia Europeu do 112.

Só uma em cada quatro chamadas feitas para o número nacional de emergência corresponde a uma verdadeira emergência.

Esta estatística divulgada pela PSP significa que os portugueses estão a usar o 112 de forma errada. E para superar esse problema, a Guarda Nacional Republicana irá promover diversas ações em todo o território, com a finalidade de alertar os cidadãos para a necessidade de um correto uso daquela linha.

Não significa que os cidadãos estão a reportar ocorrências falsas, mas tratam-se de situações que não requerem o 112 e que devem ser resolvidas com outras ferramentas.

O 112 foi criado em 1991 e é o único número de emergência que pode ser usado por rede móvel ou fixa, em qualquer país da União Europeia. No entanto, a génese do nosso atual sistema de emergência remonta ao início da década de 70 do século passado. Apenas 27 por cento dos portugueses estão familiarizados com a ferramenta.

Um mau uso dos serviços de emergência leva a que esses meios sejam desviados de verdadeiras ocorrências, que exigem a presença de forças de segurança, INEM, ou Proteção Civil, entre outros.

No dia em que se assinala esta efeméride, vale a pena recordar uma estatística divulgada recentemente pela PSP de Coimbra, relativa às chamadas para a central de emergência, durante o ano de 2015, dava conta de que mais de metade dos telefonemas eram falsos (comunicação de situações de emergência inexistentes), ou injustificadas (utilização da linha telefónica para outros fins que não a da emergência).

No total, segundo aquela força de segurança, foram recebidas pela central de emergência 113 975 chamadas, sendo que, destas, 75 180 ou eram falsas, ou estavam desprovidas de sentido, pelo que não justificavam o pedido de socorro.

“Apesar da já longa vida do número europeu de emergência, não deixa de ser estranho que, ainda hoje, muitas pessoas liguem para a central de emergência a pedir contactos telefónicos ou informações sobre telemóveis e tarifários, outras para reclamar perante a Câmara Municipal por ser período diurno e a iluminação pública ainda estar ligada e até para nos solicitar o serviço de despertar”, realçou o comando distrital da PSP de Coimbra.

Estes dados são preocupantes, uma vez que as autoridades são obrigadas a dedicar tempo e recursos para falsas emergências, o que prejudica a sua intervenção nos casos que merecem todo o cuidado.

“O número de chamadas falsas ou injustificadas não deixa de ser significativo e preocupante, pela sua grandeza e pelo elevado impacto negativo que as mesmas produzem na prestação dos serviços de emergência e socorro aos cidadãos, consumindo e ocupando recursos, por vezes necessários para dar resposta a reais situações de emergência”, revelou aquela autoridade.

Além das brincadeiras, há também o uso inadequado da linha de emergência. Muitos cidadãos usam o 112 de forma inapropriada, para tratar questões que não são urgentes, ou que devem ser resolvidas noutras plataformas ou entidades.

Refira-se, por outro lado, que a simulação de perigo ou o abuso destas ferramentas são crime e preveem punição, no Código Penal Português.

As chamadas de 112 são georreferenciadas. E quando estão em causa situações grave (ou quando uma falsa emergência que provoca transtornos numa verdadeira emergência), as consequências são duras, para os autores das chamadas.

Mais partilhadas da semana

Subir