Crónicas

Óbvio

«A maioria não percebe os pormenores do procedimento, apenas os bons ou maus resultados…»

Baltasar Gracían

A notícia de que o meio irmão do líder da Coreia do Norte foi assassinado no aeroporto internacional de Kuala Lumpur, na Málasia intensificou as desconfianças sobre o regime norte coreano.

O meio irmão mais velho do atual líder coreano era um opositor do regime, e vivia em exílio na Coreia do Sul. Inicialmente apontado como o sucessor do falecido líder, caiu em desgraça no início deste século, tendo acabado por fugir.

O governo da Coreia do Sul de imediato apontou a Coreia do Norte como estando na origem do crime. E o fantasma de que os serviços secretos norte coreanos sejam capazes de agir e levar a cabo este tipo de acções surge. Principalmente numa altura em que o regime norte coreano tem necessidade de mostrar que o seu poder se estende para além das suas fronteiras. O lançamento de um míssil para o Mar do Japão demonstrou que a capacidade existe.

O novo presidente norte americano, Trump já apontou a Coreia do Norte como o seu principal alvo.

Coincidência ou não, foi neste contexto que o crime em Kuala Lumpur aconteceu. A mensagem parece clara, quem traí o regime pode ter a certeza de que vai viver com medo para o resto da vida. Dado o aumento de debandada de altos funcionários norte coreanos, era de esperar que algo acontecesse. Afinal, os desertores são um perigo real para a sobrevivência do regime. Ao fornecerem informações sobre o que se passa num dos países mais isolados do planeta, acabam também por criarem uma oposição a um governo que não permite oposição de qualquer tipo.

Uma coisa é óbvia, o regime norte coreano esforça-se muito para se manter no centro das preocupações do mundo.


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