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“Não querem trabalhar ao sábado? Pelo amor de Deus”, diz ex-ministro de Cavaco

Numa altura em que a fábrica de Palmela atravessa um impasse nas negociações dos novos horários, Mira Amaral (ministro de um Governo de Cavaco Silva responsável pela vinda da fábrica para território luso) vem a público avisar que Portugal corre o risco de perder a Autoeuropa. O antigo governante mostra-se surpreendido com as razões invocadas pelos trabalhadores nesta situação. “Não querem trabalhar ao sábado? Pelo amor de Deus.”

“A VW faz um investimento fabuloso num produto que já se sabe que vai ter grande aceitação. Criou mais postos de trabalho. Os trabalhadores da Autoeuropa têm, no contexto português, salários superiores a muitos colegas de outras fábricas. A fábrica tem todas as condições para singrar. Não querem trabalhar ao sábado? Pelo amor de Deus. Temos de ser realistas”, revela.

Antigo ministro da Indústria de um Governo de Cavaco Silva, Mira Amaral negociou a vinda da fábrica para Portugal e agora, em entrevista o Diário de Notícias (DN) e Dinheiro Vivo, diz que o país enfrenta o “forte risco” de perder a fábrica, que poderá mudar-se para Marrocos ou até para a República Checa.

“Conseguimos trazer a Autoeuropa para Portugal com grande sucesso e hoje temo pelo seu futuro. As pessoas têm de perceber que a Autoeuropa compete com outras fábricas do grupo alemão”.

Em declarações ao DN e Dinheiro Vivo, Mira Amaral diz que “a Volkswagen fez um grande investimento na Autoeuropa e não vai sair de Portugal enquanto não estiver amortizado”.

“Mas a partir desse momento, se não houver juízo, a Autoeuropa está em situação de desvantagem em relação a outras fábricas que ficariam encantadas por receber novas produções. Estou a lembrar-me da República Checa e de Marrocos, que está a ter uma expansão fabulosa e tem recebido investimentos da indústria automóvel europeia”, analisa Mira Amaral.

O antigo governante diz que a empresa tem feito um trabalho “fabuloso” e revela que se sente “desgosto” e invadido por “pessimismo” e “preocupação” face a esta situação.

Os trabalhadores da Autoeuropa têm estado com os sindicatos numa espécie de ‘braço de ferro’ com a administração da fábrica de Palmela, no que diz respeito aos novos horários de trabalho para que a empresa possa produzir um novo modelo da marca.

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