Bisturi

Carta aberta a um jovem português!

jovensApesar de possivelmente nem sequer nos conhecermos, temos algo em comum. Posso não saber em que zona do país vives ou quantos anos tens, mas sei que temos algo em comum. Tal como tu, também sou português. Olha à tua volta. Já alguma vez pensaste que isto que te rodeia é nosso? Não é de mais ninguém, é nosso. Já pensaste que este pedaço de terra à beira mar plantado foi o que os nossos antepassados nos deixaram?

Isto que temos foi o resultado de séculos de lutas, guerras, tratados, pazes, traições, misturados com muito sangue, suor e lágrimas. Acima de tudo, foi o resultado da vontade de um Povo.

Portugal: para alguns, um país pobre, pequeno e destinado ao fracasso. No entanto, para nós, representa muito mais que isso. Algo quase inexplicável, algo que me une a ti, que nos une a nós. Sentimos isso quando se canta o Hino Nacional, quando Portugal marca golo ou quando encontramos um conterrâneo no estrangeiro. Quando ocorrem estes simples fenómenos apercebemo-nos o que é a Pátria. (Palavra infelizmente tantas vezes mal empregue…). A pátria sou eu e tu. Somos nós! Se a esse “nós” juntares o legado e os feitos dos portugueses tens algo grandioso. Se a isso juntares a identidade de um povo, temos uma Pátria!

Tantos deram a sua vida por ela, tantos lutaram para que hoje vivesses num País melhor, tantos realizaram feitos hercúleos para elevar o nome de Portugal… Tudo para que hoje esta Pátria fosse nossa! Já viste a responsabilidade?

Mas estaremos prontos? Nunca ninguém estará pronto enquanto não se debruçar verdadeiramente sobre a causa pública.

Somos a geração mais formada da história de Portugal. Temos obrigatoriamente 12 anos de escolaridade. O ensino superior está democratizado e prosseguir estudos já não é um luxo ao alcance de poucos. Ao longo de anos somos confrontados com inúmeros desafios que nos ajudam a formarmo-nos como pessoas e como cidadãos.

Agora, temos de colocar esta formação que tivemos ao serviço da comunidade. Porque é graças a esse contributo que podemos fazer do nosso país um local melhor para nós e para os nossos filhos. Não gostavas de lhes deixar um país melhor que aquele que os nossos pais nos deixaram a nós?

O país que herdamos não é de todo o ideal…

Sabias que todos os dias morrem mais portugueses do que nascem? Sabias que gastamos mais dinheiro do que ganhamos? Sabias que para compensar essa diferença pedimos empréstimos que não conseguimos pagar? Sabias que os nossos filhos vão estar a pagar as dívidas dos nossos pais? Sabias que metade dos portugueses não vota nas eleições e deixa os outros decidir por eles?

Na verdade, nós não podemos escolher o país que herdamos, mas podemos decidir como será o país que vamos deixar às gerações futuras!

Liga a televisão. Não estás farto de ouvir falar da falta de emprego, da emigração forçada, da pobreza, das falências, da miséria, das burlas, da crise…? A nossa geração cresceu a ouvir que Portugal está perdido e que este país não é para jovens.

Lá fora fomos menosprezados, humilhados e até “lixo” nos chamaram (como é que podem chamar lixo ao NOSSO País)!

Mas a esses que nos rebaixaram…

A esses cabe-nos a nós, a ti e a mim, mostrar que estavam errados. Cabe-nos a nós mostrar que em Portugal há muito talento e qualidade e apesar de poucos, quando nos mobilizamos por uma causa não há quem nos impeça!

Quem não se lembra de Ourique onde lutámos contra cinco reis mouros? Quem não se lembra de Aljubarrota? Quem não se lembra dos marinheiros que colonizaram meio mundo? Quem não se lembra de Abril? Quem não se lembra das manifestações pela Independência de Timor? Tão poucos mas ao mesmo tempo tão grandes! Somos um Povo capaz de coisas extraordinárias! Fomos nós que criámos os cartões pré-pagos para telemóvel, fomos nós que inventámos a via verde, fomos nós que desenvolvemos o primeiro sistema de identificação de cores para daltónicos, fomos nós que projetámos as caravelas, fomos nós que concebemos os multibancos. Fomos nós! Tantas invenções brilhantes, tantos feitos marcantes e no entanto, tanto por fazer!

Como diria Fernando Pessoa: “Falta cumprir Portugal”!

Não te esqueças que o triunfo nasce da persistência, da determinação e da perseverança em alcançar um objectivo! Mesmo que não o atinjas, quem procura incessantemente e ultrapassa dificuldades, no mínimo, fará coisas admiráveis.

Cumprimentos esperançosos,

Gabriel Albuquerque


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