Justiça

Interrogatório de Armando Vara adiado para 5 de fevereiro

O interrogatório de Armando Vara como testemunha de Bárbara Vara, sua filha, e ambos arguidos na Operação Marquês, foi adiado de terça-feira para o dia 05 de fevereiro, por decisão do juiz de instrução, Ivo Rosa.

Segundo fonte ligada ao processo, na origem do adiamento está a greve dos guardas prisionais, cujos serviços mínimos não contemplam o transporte de presos para diligências não urgentes.

Armando Vara está detido no Estabelecimento Prisional de Évora, a cumprir cinco anos de cadeia no âmbito do processo face Oculta.

Bárbara Vara começou a ser ouvida pelas 14:30 na fase de instrução do processo Operação Marquês, que se iniciou hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal.

Bárbara Vara está acusada de dois crimes de branqueamento de capitais, um em cumplicidade com o seu pai, a cumprir pena de prisão ao abrigo do processo Fase Oculta, e outro em coautoria com outros arguidos do processo, nomeadamente Carlos Santos Silva.

À entrada do tribunal, nem a arguida nem os seus advogados, Rui Patrício e João Cluny, quiseram prestar declarações, remetendo para o fim da sessão eventuais comentários.

Armando Vara é uma das testemunhas arroladas pela sua filha, tendo o seu interrogatório sido marcado inicialmente para terça-feira.

O juiz de instrução Ivo Rosa já marcou diligências até ao final de maio, prevendo-se que este processo dure cerca de um ano, dado o número de testemunhas que irão depor e os interrogatórios dos arguidos que pediram para ser ouvidos.

O inquérito Operação Marquês, que teve início há mais de cinco anos – culminou na acusação a 28 arguidos – 19 pessoas e nove empresas – e investigou a alegada prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

José Sócrates foi acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

Entre outras imputações, o Ministério Público está convencido que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santos e na PT, bem como para garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento de luxo Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Entre os 28 arguidos estão Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Armando Vara, Bárbara Vara, Joaquim Barroca, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turísticos de Luxo.

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