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Mais de 60 mil protestam em Atenas contra acordo para alteração do nome da Macedónia

Mais de 60 mil pessoas concentraram-se hoje na Praça de Sintagma, na Grécia, em oposição ao acordo entre Atenas e Skopje sobre a alteração do nome da Macedónia, tendo-se já registado confrontos entre a polícia e os manifestantes.

O acordo em causa, visa alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte, uma disputa que dura há 27 anos, desde que a Macedónia declarou independência da Jugoslávia. No entanto, os gregos estavam contra a nova designação, uma vez que têm uma região no norte chamada Macedónia.

De acordo com a AFP, durante a concentração, convocada por grupos nacionalistas e religiosos, cerca de 30 jovens encapuzados lançaram projéteis e tentaram entrar no parlamento.

A polícia de choque retaliou, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

“Há apenas uma Macedónia e é a grega”, disse uma das manifestantes, Christina Gerodimou, em declarações à AFP.

Gerodimou afirmou ainda que o Governo de Alexis Tsipras é formado por “traidores”.

“A Macedónia é Grega, é a minha pátria, onde nasci e cresci. A Macedónia não pode ser Skopje, que é uma comunidade Eslava, que antes da II Guerra Mundial se chamava Vardaska. [Josip Broz] Tito fez a alteração para Macedónia, mas não está correto. A Macedónia é a pátria de Alexandre Magno”, disse, citada pela EFE, Fotiní Jalastara, outra manifestante.

O Governo grego remeteu no sábado ao parlamento o acordo sobre a alteração do nome da Macedónia, dando assim inicio ao processo.

Na segunda-feira, o parlamento grego vai reunir-se para estabelecer o calendário de sessões das comissões de Defesa e Assuntos Externos, encarregue de discutir o texto antes do debate final no plenário, previsto para o final da próxima semana.

Em 11 de janeiro, o parlamento da Macedónia alterou algumas emendas da Constituição, de modo a poder alterar o nome do país, deixando assim nas mãos da Grécia o último passo para a concretização do acordo de Prespa.

Este documento vai também permitir a possibilidade de entrada da Macedónia do Norte na Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) e de início do processo de adesão à União Europeia.

Apesar de a grande maioria da oposição estar contra este documento e da coligação com os nacionalistas Gregos Independentes ter-se rompido na semana passada por esta questão, o Governo de Alexis Tsipras espera o apoio da maioria absoluta da câmara – 151 deputados -, tal como conseguiu um voto de confiança na passada quarta-feira.

De acordo com a agência EFE, alguns deputados dos Gregos Independentistas já confirmaram que vão apoiar o acordo e o partido centrista To Potami (O Rio) levantou a disciplina de voto, esperando-se assim que alguns dos seus deputados apoiem o documento.

O primeiro-ministro grego viu, na quarta-feira, o parlamento aprovar um voto de confiança, dias depois de ter terminado a coligação que viabilizava o seu Governo.

Com 151 votos favoráveis, dos 300 parlamentares, Tsipras viu assegurada a continuidade do seu executivo, cujo mandato termina em outubro.

O ministro da Defesa, Panos Kammenos, que lidera os Gregos Independentes, abandonou o Governo no passado fim de semana, em protesto contra o acordo proposto com a vizinha Macedónia.

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