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Conselho da Europa pede medidas para apoiar idosos em isolamento

A Comissária para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Dunja Mijatovic, alertou hoje para o apoio social urgentes às populações mais idosas sujeitas a medidas de isolamento no contexto da luta contra a pandemia Covid-19.

Numa nota difundida hoje, Mijatovic, natural da Bósnia-Herzegovina, refere que a pandemia de coronavirus (Covid-19) é especialmente perigosa para as pessoas idosas sujeitas a impactos negativos e desproporcionados nos direitos à saúde e outros direitos fundamentais.

A comissária recorda que os países europeus impuseram medidas especiais de contenção dirigidas em especial aos idosos aconselhando ao isolamento das populações mais envelhecidas, no quadro das medidas contra a propagação da pandemia, sendo que se trata de uma circunstância “que se pode prolongar no tempo”.

Para Dunja Mijatovic, as medidas de isolamento são “absolutamente” vitais e necessárias por causa da saturação e da falta de meios nos hospitais mas o procedimento pode agravar a situação dos mais velhos devido à distância social.

“Muitos idosos enfrentam riscos de pobreza e de exclusão social, assim como podem ocorrrer problemas de saúde devido ao isolamento social, incluindo problemas mentais”, refere.

“Por isso, os idosos precisam de mais apoio do que nunca e as medidas que estão a ser tomadas devem ter em conta as situações associadas. Fiquei especialmente agrada com a postura da França, por exemplo, que permite a circulação a todos aqueles que prestam ajuda aos idosos”, disse no mesmo documento.

A responsável diz ainda que as sociedades devem alcançar níveis de “contactos solidários entre gerações”, sem colocar em risco as pessoas, e destacou as iniciativas de organizações não-governamentais que encontraram recentemente “formas inovadoras” de contacto através de “encontros virtuais”, com recurso a telemóveis e computadores, e chamadas telefónicas efetuadas com regularidade por voluntários.

“Ao mesmo tempo que a sociedade civil responde rapidamente e de forma generosa ao problema, os governos devem igualmente tomar iniciativas de contacto entre os mais novos e os mais velhos, no contexto da crise provocada pela pandemia”, alerta.

O comunicado nota que a pandemia tem provocado a proliferação de um discurso de ódio contra as pessoas mais velhas e que é difundido através das redes sociais acrescentando que são “chocantes” as manifestações contra os mais velhos em muitas mensagens transmitidas pela internet.

“Esta situação vai obrigar os Estados europeus a adotarem, depois da crise sanitária, novas reformas no sentido dos cuidados prestados aos mais velhos. No centro das reformas deve prevalecer a ideia de um sistema que venha a apoiar os idosos no sentido da inclusão social”, conclui a Comissária para os Direitos Humanos do Conselho da Europa.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 250 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 10.400 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 89.000 recuperaram da doença.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se já por 182 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, com a Itália a tornar-se hoje o país do mundo com maior número de vítimas mortais, com 3.405 mortos em 41.035 casos.

A Espanha regista 1.002 mortes (19.980 casos) e a França 264 mortes (9.134 casos).

No total, desde o início do surto, em dezembro passado, as autoridades da China continental, que exclui Macau e Hong Kong, contabilizaram 80.967 infeções diagnosticadas, incluindo 71.150 casos que já recuperaram, enquanto o total de mortos se fixou nos 3.248.

Destaque também para o Irão, com 1.433 mortes em 19.644 casos.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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