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Capa do CM sobre bebé-milagre gera polémica nas redes sociais

A manchete do Correio da Manhã da passada quinta-feira gerou reações negativas, nas redes sociais. Em causa, o bebé-milagre, que nasceu quatro meses após a morte cerebral da mãe.

Aquele periódico ‘anunciava’, em letras garrafais, que o pai do Lourenço – o bebé que nasceu após a morte da mãe – rejeitava o filho. “Bebé milagre rejeitado pelo pai”, pôde ler-se, com um subtítulo discreto de alegada “incapacidade financeira” para criar o filho.

No dia seguinte, o Observador contava uma história diferente. Numa entrevista ao pai do menino, recolheu uma declaração que dispensa subtítulos. “Este bebé veio dar um rumo à minha vida”, afirmou Miguel Ângelo.

Miguel contou também que o filho – já registado, no Hospital de São José, em Lisboa – chama-se Lourenço Salvador. “Lourenço” numa homenagem à mãe, que escolhera esse nome. “Salvador” decidido pelo pai, numa alusão ao início de vida do filho, um verdadeiro salvador.

“Pensei em todas as coisas más que me aconteceram na vida, tinha finalmente acontecido algo de bom”, contou Miguel Ângelo, ao Observador.

O relato do pai deste bebé-milagre – o primeiro caso do género registado em Portugal – contrasta com a capa do Correio da Manhã.

Nas redes sociais, o diário foi criticado, sobretudo depois de um post no Facebook da autoria de Paulo Baldaia, ex-diretor da TSF.

Com a capa do Correio da Manhã como ‘anexo’ ao post, Baldaia pergunta: “Vale tudo?”.

“Há uma vida que acabou de acontecer, uma que se perdeu e duas que podem caminhar de mãos dadas. Há o que eu sei que faria se fosse comigo e o que tenho de admitir que outra pessoa qualquer faria se fosse com ela. E há uma obrigação de qualquer um de não julgar prematuramente uma angústia, uma ansiedade de não saber o que fazer com a própria vida, quanto mais com uma vida que acabou de chegar”, começa por escrever.

Relativamente ao Correio da Manhã, duras críticas:

“Há também jornalismo e coisas que têm esse nome, mas não se devem confundir. E há erros que se cometem e são da vida, bastando para obter o perdão pedir desculpas. Desculpas sinceras, por se ter entrado onde é suposto o jornalismo não entrar. É que a capa do Correio da Manhã acusa um pai que, ainda por cima, tinha outra história para contar ao Observador”, conclui.

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