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Antigo Campo de Concentração do Tarrafal encerra para obras durante oito meses

O antigo Campo de Concentração do Tarrafal, na ilha cabo-verdiana de Santiago, vai encerrar a partir de segunda-feira e durante oito meses, para obras de reabilitação do espaço que vai ser candidato a Património da Humanidade.

“Face à necessidade de garantir o normal desenvolvimento dos trabalhos e preservar a segurança dos visitantes, o IPC [Instituto do Património Cultural], cumpre o dever de comunicar o encerramento do Museu da Resistência – Ex Campo de Concentração do Tarrafal durante o período da intervenção, prevista para 8 meses”, informou o IPC.

O instituto cabo-verdiano adiantou ainda que as obras vão ser realizadas no quadro do Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidade (PRRA) do Governo, através do Ministério das Infraestruturas, do Ordenamento do Território e Habitação.

Na quinta-feira passada, foi realizada a assinatura da consignação da empreitada no antigo campo de concentração, pelo Ministério da Cultura e Indústrias Criativas, Abraão Vicente, à construtora Vilacelos, empresa com sede em Barcelos, Portugal, através da sucursal em Cabo Verde.

O ministro explicou que obra, de 29,5 milhões de escudos (265 mil euros) visa um dos requisitos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) para a candidatura a Património da Humanidade que o Governo cabo-verdiano pretende apresentar dentro de um ano.

O investimento implica a substituição de telhados das antigas celas comuns e pavilhões, e a criação de um percurso pelo interior do antigo campo de concentração, levando ao reforço da componente de museu, entre outros trabalhos.

Abraão Vicente disse que o objetivo da obra de reabilitação e da candidatura à UNESCO passa por “transformar um espaço que era triste e que devia envergonhar” num local de “orgulho”, desde logo para a população do Tarrafal.

O ministro afirmou também que é necessário “ficar em paz” com aquele local, por exemplo na tarefa de, com as famílias, decidir sobre os restos mortais dos então prisioneiros que ficaram no Tarrafal.

O governante disse à Lusa que o Governo cabo-verdiano pretende construir no espaço um memorial aos que estiveram ali encarcerados durante o Estado Novo e vai fazer um levantamento para apurar se ainda há restos mortais de antigos prisioneiros por transladar.

O ministro recordou que as vítimas mortais do espaço, que ficou conhecido como ‘campo de morte lenta’, foram enterradas ao longo dos anos no cemitério municipal do Tarrafal, localidade no norte da ilha de Santiago.

O Tarrafal recebeu mais de 500 pessoas, entre 340 antifascistas e 230 anticolonialistas. Destes, 34 morreram no local.

Situado na localidade de Chão Bom, o antigo Campo de Concentração do Tarrafal foi construído no ano de 1936 e recebeu os primeiros 152 presos políticos em 29 de outubro do mesmo ano, tendo funcionado até 1956.

Em 1962, foi reaberto com o nome de “Campo de Trabalho de Chão Bom”, destinado a encarcerar os anticolonialistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Após a sua desativação, o complexo funcionou como centro de instrução militar, escola e desde 2000 alberga o Museu de Resistência, transformando-se, entretanto, no museu mais visitado de Cabo Verde.

O espaço foi classificado Património Cultural Nacional através da Resolução n.º 33/2006, de 14 de agosto, e desde 2004 que integra a lista indicativa de Cabo Verde a património da UNESCO.

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