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Alzheimer: Como se desenha o tempo na demência?

O Dia Mundial da Doença de Alzheimer assinala-se a 21 de setembro. E no âmbito desta efeméride, o Museu Machado de Castro – em parceria com a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer – vai promover uma exposição intitulada “desenhar o tempo”.

“Esta exposição é dedicada ao Teste do Desenho do Relógio (TDR), um dos testes cognitivos mais populares tanto na deteção como no acompanhamento da evolução de doentes de Alzheimer”, explica Isabel Santana, coordenadora científica da exposição e neurologista responsável pela Consulta de Demência do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

A inauguração da exposição está agendada para as 18 horas, no dia 21 de setembro, e insere-se nas comemorações do Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

A estimativa de Portugueses com mais de 60 anos e com demência ronda os 160 mil e, destes doentes, 50-70 por cento sofrem de doença de Alzheimer.

A perda de memória é geralmente o sintoma inicial e dominante desta patologia neurodegenerativa a qual gradualmente vai afectando outras capacidades cognitivas, acabando por comprometer a autonomia dos doentes no seu quotidiano.

A representação do tempo através de  um relógio envolve a ativação de várias regiões cerebrais e a colaboração de múltiplas funções cognitivas (visuais, abstração, conhecimento dos números, capacidades de organização e de execução…), capacidades essas que se vão perdendo progressivamente nas demências.

A utilização desta prova na prática clínica implicou a realização de estudos na comunidade que permitiram definir objetivamente os padrões de normalidade de acordo com a idade e a escolaridade e caracterizar os erros mais frequentes nas diversas formas de demência.

A identificação dos doentes com Doença de Alzheimer justifica-se pela disponibilidade de medicação sintomática que permite minorar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos doentes e familiares. Os avanços alcançados no diagnóstico cada vez mais precoce, têm sido acompanhados pela inovação em fármacos com potencial de prevenção ou que poderão retardar o aparecimento de sintomas e a progressão da doença. O envelhecimento activo, baseado em programas que associam actividade física e estimulação cognitiva, é também uma estratégia preventiva com eficácia comprovada e que deve ser implementada na comunidade.

O teste do desenho do relógio é um instrumento neuropsicológico breve e ecológico que reflecte a evolução da doença mas que também tem sensibilidade para revelar os benefícios e reconquistas das novas estratégias de intervenção.

A exposição “desenhar o tempo” é uma experiência cognitiva e gráfica que nos permite compreender o funcionamento do cérebro humano e conhecer as suas fragilidades e estará patente no Museu Machado de Castro até ao dia 31 de outubro de 2016.

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