Cultura

Divergências entre trabalhadores e diretora da Tapada de Mafra levam ministro ao Parlamento

Trabalhadores da Tapada de Mafra queixam-se de assédio moral e atentados ao património natural, acusações que a diretora do espaço nega e que já levaram os deputados a pedir a presença do ministro da Agricultura no parlamento.

Num documento, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas denuncia casos de “atuação desrespeitosa” da diretora da Tapada, Paula Simões, para com os trabalhadores, que configuram “assédio moral” e têm resultado em “sistemáticas baixas médicas por extremo stress no trabalho” e despedimentos voluntários, tendo o quadro de pessoal diminuído de 26 para 12 trabalhadores.

Contactada pela Lusa, Paula Simões confirma que oito trabalhadores se despediram desde que assumiu funções em abril de 2016, mas nega qualquer intenção de assédio.

“O cumprimento de direitos e deveres por parte dos trabalhadores, a prestação de trabalho como contrapartida pela remuneração auferida ou o controle de receitas e despesas no processo de gestão de uma instituição não constituem forma de desrespeito nem legitimam situações de stress ou de baixa médica”, defende.

Os trabalhadores queixam-se de trabalhar, “sem dias de descanso, mais de sete dias seguidos”, mas a diretora desmente.

O sindicato acusa também Paula Simões de tomar decisões “lesivas para o património natural”, como dar comida deteriorada aos animais, e de deixar a Tapada num “estado de degradação crescente”, mas aquela nega.

Paula Simões adianta que foram requalificados 40 quilómetros de caminhos, limpos 170 hectares de mato, 20 dos quais com recurso a ações de fogo controlado, “decisivos para proteger a Tapada dos fogos”, e interditou a caça, o que permitiu aumentar a população de veados, gamos e javalis.

A responsável é ainda acusada de cometer “diversos atentados ambientais”, como autorizar o abate de sobreiros centenários, que “terá sido causa da morte de crias de açor”, e a limpeza do lago do Jardim do Celebredo, que perdeu biodiversidade, pondo em causa a sobrevivência de anfíbios.

Paula Simões esclarece que “foram abatidos troncos de sobreiros decrépitos” que estavam em risco de cair para a via pública e outro que estava doente, enquanto na limpeza do lago do Celebredo “as condicionantes naturais foram respeitadas”.

Na denúncia, o sindicato alerta que a diretora colocou a Tapada em risco de incêndio em 2017, ao tomar decisões como a de desviar os sapadores florestais da vigilância para outras tarefas em dias de alerta.

Segundo o sindicato, as decisões, postas em causa, da diretora levaram a um decréscimo de visitantes e de receitas.

Pelo contrário, a diretora entende que a sua gestão permitiu tornar a Tapada pela primeira vez autossustentável em 2017, graças a medidas de controlo da despesa, de limitação à contratação externa e de otimização dos recursos humanos e do material, pondo fim à dependência do Estado, como refere o Relatório de Contas, a que a Lusa teve acesso.

A Tapada fechou 2017 com um resultado positivo de mais de 80 mil euros, quando 2016 tinha encerrado com 39 mil euros negativos. Face a 2016, as receitas aumentaram 63 por cento e as despesas diminuíram 4,45 por cento.

Em 2017, a Tapada foi visitada por 68 mil pessoas, quando em 2015 tinham lá passado 83 mil.

Num documento que enviou aos grupos parlamentares, com quem se reuniu, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, solicita “uma intervenção urgente” do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, naquele espaço.

Na semana passada, os deputados da Comissão de Agricultura e Mar aprovaram por unanimidade a audição do ministro da Agricultura na Assembleia da República, sobre a gestão da Tapada de Mafra.

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