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Vídeo: As chamadas telefónicas que afastaram António Peças do heli do INEM

António Peças, médico cirurgião do Hospital de Évora e clínico no INEM, tem sido criticado por alegadamente ter recusado o transporte por meio aéreo de uma vítima por estar numa tourada. Agora são conhecidos mais casos de alegada resistência de Peças a fazer o transporte no heli. Num dos caso a vítima acabaria mesmo por morrer. Ouça o áudio que reúne várias conversas.

O médico António Peças já estava no centro de uma polémica e agora tem ‘mais duas’.

Depois de, alegadamente, ter recusado o transporte porque estaria numa tourada, o Observador divulgou agora conversas áudio entre médicos do Hospital de Faro a pedirem a António Peças, em outras situações, para fazer o transporte de vítimas.

Ao longo das conversas, percebe-se que são colocados diversos pontos de vista que acabam por decorrer no tempo, tempo esse que as vítimas nem sempre têm; uma delas acabou mesmo por morrer. Mas vamos por partes.

Acusado de ter recusado transportar um doente de helicóptero para cumprir serviço em simultâneo numa corrida de touros, o médico António Peças já veio a público dizer-se “vítima de perseguição” e explicar o seu ponto relativamente a essa situação.

Quando confrontado com documentos oficiais por si assinados na praça de touros, no dia em que o transporte pelo heli não terá sido feito, Peças respondeu que o transporte “não foi ativado”.

Agora, o jornal Observador teve acesso a outros registos áudio entre António Peças e médicos do Hospital de Faro a solicitarem, num outro caso, o transporte por meio aéreo de um doente para Lisboa e Peças a justificar a resistência a fazer o transporte de um doente que acabaria por morrer.

Num dos momentos ouve-se Sylvia Dissimoz, médica do INEM que estava de serviço no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) Lisboa na noite de 13 de abril de 2017, a apelar a António Peças para fazer o transporte de uma mulher que tinha um aneurisma e precisava de ser levada de Faro para a capital.

“Perante a vida ou a morte de uma mulher de 37 anos, eu acho que temos de lhe dar uma hipótese”, disse Sylvia Dissimoz na conversa com Peças.

O médico do heli acabaria por aceitar fazer o transporte mas não a tempo, uma vez que a doente acabaria mesmo por morrer.

Nas conversas agora conhecidas, entre António Peças e Sylvia Dissimoz, o médico do heli do INEM foi chamado para fazer um outro transporte por via aérea e deixou críticas à colega.

“A última vez que tu me mandaste [sair] e que estivemos a conversar, mandaste-me para uma doente que estava morta”, diz Peças no áudio.

Aliás, nos registos agora tornados públicos, nota-se o desconforto de responsáveis do INEM e do Hospital de Faro.

“Deve ser o Peças o médico do heli, não? Essa história é sempre igual. É reiterado. Eles tentam sempre não sair.”

As conversas áudio agora conhecidas revelam demoradas troca de ideias com Peças, onde este tenta mudanças de planos e soluções alternativas ao transporte por meio aéreo, enquanto as vítimas aguardam.

Num dos casos, trata-se de uma mulher de 37 anos que, a 13 de abril de 2017, poucos antes das 23h30, tinha necessidade de ser transportada do Hospital de Faro para o Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, para ser operada a um aneurisma na artéria aorta.

Neste caso, o heli do INEM de Loulé poderia fazer o transporte mas estava num outro serviço.

Daí que tenha sido solicitado o apoio do heli do INEM de Évora.

“Espere lá, espere lá, espere lá… Vamos lá falar com calma, está bem? Não vale a pena estar a falar dessa maneira. (…) Essa doente vai para Santa Cruz para ser operada ou para ser estudada?”, responde António Peças ao Hospital de Faro e fala com o Hospital de Santa Cruz para saber se vão operar logo a mulher.

O Hospital de Santa Cruz explica a Peças que pretendem receber a doente o quanto antes para prepararem a cirurgia.

Enquanto isso, do Hospital de Faro tentam explicar a Peças os relatórios médicos feitos mas Peças recusa-se a ouvir na chamada feita que colocou Peças a falar com médicos de dois hospitais.

“Eu com a senhora doutora tenho a minha conversa terminada. Agora falo com o CODU. Eu consigo não tenho mais nenhuma conversa a ter, está bem?”, disse António Peças.

“O colega, portanto, recusa-se a transportar a doente, é isso?”, questiona o Hospital de Faro, enquanto Peças responde.

“É uma satisfação que eu não tenho que lhe dar a si. (…) A nossa conversa, do meu ponto de vista, não tem mais justificação, vou falar agora com o CODU, está bem? Muito gosto, uma boa Páscoa para a sôtora.”

Assista ao áudio desta situação.

Um outro caso diz respeito a um idoso vítima de AVC que precisa ser transportado de Évora para Lisboa.

A conversa envolve outra vez António Peças e aconteceu 16 de maio de 2017.

O doente necessitava fazer um tratamento de remoção do coágulo que provocou o AVC e os médicos tinham uma ‘janela de tempo’ de seis horas, que começou a contar às 22h45 quando se deu o problema.

Na conversa, Peças questiona o porquê de o doente não ser transportado de ambulância.

Uma vez mais a conversa tem momentos polémicos.

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