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Fecho de fronteiras em Macau está a ser “discriminatório” e “afeta portugueses”, lamenta conselheiro

O Conselheiro das Comunidades Portuguesas em Macau disse hoje à Lusa que o fecho das fronteiras no território está a ser discriminatório e também a afetar portugueses, que não conseguem entrar, colocando em risco a situação laboral.

No dia em que entrou em vigor a proibição de trabalhadores não residentes em Macau, à exceção daqueles oriundos Taiwan, Hong Kong e da China continental, justificada pelo chefe do Governo “para evitar a transmissão da Covid-19”, Pereira Coutinho defendeu que deve “imperar o bom senso”.

Ou seja, devem “ter em atenção que muitos dos títulos de trabalhadores não residentes estão a caducar” e que o prazo para revalidar os títulos tem de ser estendido, uma vez que não lhes é permitida a entrada.

“É natural que estejam preocupados. (…) Com bom senso e compreensão poderá resolver-se a situação, de deixá-los entrar, porque estão numa situação dramática, precisam do trabalho, [e] têm as suas famílias cá”, sustentou.

O conselheiro afirmou que “não são muitos os casos” e mostrou-se otimista: os portugueses “podem resolver facilmente a situação”, a começar pelo contacto com o Gabinete de Gestão de Crises do Turismo de Macau, precisou, até porque muitos se encontravam de férias quando foi anunciada e entrou em vigor a proibição.

Com as exceções à interdição, anunciada cerca de duas horas antes de entrar em vigor, “cria-se um sistema discriminatório para os trabalhadores não residentes” que não sejam oriundos da China continental, de Hong Kong e Taiwan, salientou.

“Ou seja, nós temos casos de portugueses trabalhadores não residentes que estão nos países adjacentes de Macau e esses como estão?”, exemplificou, para concluir: “O mais grave é que o coronavírus não vai ver passaporte ou nacionalidade para atacar”.

No dia em que entraram em vigor as novas restrições, foi igualmente lançada uma petição na qual se apela às autoridades que retirem a medida, por ser “extremamente injusta”.

Os subscritores do documento concordam com a absoluta necessidade de se conter o surto e consideram compreensíveis que sejam realizadas medidas de controlo rigoroso à chegada a Macau.

Contudo, lembram que isso “não deve levar à negação de direitos fundamentais” de pessoas que vivem e trabalham no território há anos, “e que não podem agora regressar às suas casas (…) e às suas famílias”, lembrando que, segundo os dados oficiais há mais de 190 mil trabalhadores não-residentes.

Depois de 40 dias sem novos casos de Covid-19, Macau registou entre segunda-feira e hoje sete novos casos importados, a maioria trabalhadores não-residentes, razão que terá motivado o reforço das restrições à entrada no território.

Antes, Macau registava dez casos de infeção com o vírus da Covid-19, tendo todos já recebido alta hospitalar.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 210 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.750 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 84.000 recuperaram da doença.

A China anunciou hoje não ter registado novas infeções locais nas últimas 24 horas, o que acontece pela primeira vez desde o início da pandemia. No entanto registou 34 novos casos importados.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se já por 173 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

No total, desde o início do surto, em dezembro passado, as autoridades da China continental, que exclui Macau e Hong Kong, contabilizaram 80.894 infeções diagnosticadas, incluindo 69.614 casos que já recuperaram, enquanto o total de mortos se fixou nos 3.237.

Os países mais afetados depois da China são a Itália, com 2.978 mortes em 35.713 casos, o Irão, com 1.135 mortes (17.361 casos), a Espanha, com 638 mortes (14.769 casos) e a França com 264 mortes (9.134 casos).

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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