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Enfermeira escreve artigo viral e questiona gastos do ministro da Saúde

Ana Cláudia, uma enfermeira da Figueira da Foz, escreveu uma publicação em defesa da sua classe e o artigo tem-se tornado viral nas redes sociais. Deixando claro que não pertence a “ordens nem sindicatos ou partidos políticos”, a enfermeira deixa um apelo para que “salvem a enfermagem” e uma questão: “O senhor ministro da Saúde precisa de dois motoristas, cujo salário de cada é 2115,82 euros?”

A crise mais recente dos enfermeiros começou numa luta por causa de carreiras e remunerações, tornando-se polémica nos últimos tempos. Agora, uma enfermeira tem as suas palavras com eco nas redes sociais.

“Nunca pensei assistir ao que assisto hoje, em pleno Portugal – país que julgava justo, sem opressão ou desigualdade social”, explica esta enfermeira com 13 anos de carreira, endurecendo depois as palavras.

“Dói na alma ver o meu Estado, o meu Presidente, o meu País contra nós”.

E prossegue: “Dói a hipocrisia do meu ministério a preferir pagar horas extraordinárias (ficando mais dispendioso ao país) para outros profissionais fazerem o nosso trabalho e afirmando que é para bem dos utentes, querendo passar uma imagem à população”que os Enfermeiros é que são os maus. Como chegámos a isto? Será que num mundo capitalista tudo vale?”

Ana Cláudia acrescenta: “Não vou fazer um discurso bonito para discutir o quanto vale em números o meu trabalho. Provavelmente nunca iriam compreender. O quanto vale ter que lidar com os olhos de quem sabe que vai morrer, de limpar as lágrimas e a dor de tantos. Não”.

Entre lamentos, a enfermeira deixa algumas questões: “Porquê todas as profissões na Saúde estão a ser respeitadas e não merecemos o mesmo? Há dinheiro para uns, não para todos? Pior, há dinheiro para aumentar os pagamentos nas reuniões da Caixa Geral Depósitos? E o senhor ministro da Saúde precisa de dois motoristas, cujo salário de cada é 2115,82 euros?”

Apelo à classe dos enfermeiros

A enfermeira deixa ainda um apelo aos seus colegas de profissão.

“Unam-se! Somos todos iguais colegas. Onde está a consciência dos meus pares? Quando ficámos assim?”, questiona, acrescentando: “Sinto que enfermagem sofre de bullying, mas que ninguém vê. Ninguém. E pior, empurram-na para o suicídio. Pior consequência do bullying”.

No relato da sua ideia, a enfermeira afirma ainda que esta é “a verdade que não passa nos jornais ou televisões”. “Que bons e maus profissionais há em todo o lado, mas que os bons estão a morrer. Lentamente neste vazio.”

Os enfermeiros de especialidade continuam em protesto e alguns já manifestaram intenção de entregar os seus títulos de especialista, por causa do que entendem ser a falta de pagamento correspondente à atividade profissional.

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