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Zimbabué quer vender reserva de marfim avaliada em 527 milhões de euros

Ao intervir na abertura de uma conferência sobre vida selvagem em Victoria Falls, no sul do país, Mnangagwa disse que o Zimbabué continua a “exigir o livre comércio de produtos de caça”, pelo “impacto significativo” nas “economias nacionais e locais” dos vários países.

Na mesma intervenção, o chefe de Estado do Zimbabué estimou em 600 milhões de dólares norte-americanos (527 milhões de euros) as reservas nacionais de marfim de elefante e de rinoceronte.

“Se pudéssemos [vendê-los] em condições aceites por todos, os lucros desta venda seriam suficientes para financiar os nossos esforços de proteção nas próximas duas décadas”, frisou.

Vários países da África austral têm feito pressão internacional a favor do levantamento da proibição total do comércio de marfim, introduzida em 1989 para proteger os animais da caça furtiva.

Querem que os elefantes sejam incluídos na lista dois da Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas, o que permitiria a venda das suas presas sob certas condições, incluindo troféus de caça.

Alguns países, como o Botsuana, que voltou a permitir a caça de elefantes, justificam a decisão de suspensão com a crescente dificuldade de convivência entre humanos e animais.

Outros, como o Zimbabué, que vivem uma crise económica, esperam obter com a venda do marfim os meios necessários para manter os seus parques naturais.

“Estamos a promover um sistema em que os benefícios crescentes dos recursos naturais (…) melhorariam a qualidade de vida de comunidades e animais”, insistiu, na intervenção de hoje, o Presidente do Zimbabué.

Esta decisão tem sido fortemente criticada por muitas organizações não-governamentais de defesa de animais selvagens, que acreditam que uma luz verde à venda de marfim ameaçaria os esforços de proteção desenvolvidas por décadas.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, nos últimos dez anos, a população de elefantes africanos caiu de 110.000 para 415.000 exemplares.

Cerca de 40.000 elefantes africanos são mortos em caça furtiva todos os anos.

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