Economia

Wall Street fecha em baixa em reação a declarações do presidente da Fed

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em baixa, com os investidores a cederem às afirmações menos acomodatícias do presidente da Reserva Federal (Fed), sobre eventuais descidas das taxas de juro.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average recuou 0,67 por cento, para os 26.548,22 pontos.

Mais fortes foram as perdas do tecnológico Nasdaq, que desvalorizou 1,51 por cento, para as 7.884,72 unidades, e o do alargado S&P500, que desceu 0,95 por cento, para as 2.917,38.

A Fed, que em 19 de junho deixou inalteradas as taxas de juro de referência, “pode ver mais longe” e “não reagir em excesso”, aliviando imediatamente a sua política monetária, declarou o seu presidente, Jerome Powell, durante uma conferência realizada em Nova Iorque.

A instituição “está a refletir sobre uma eventual descida das taxas”, concedeu.

De momento, o quadro da economia norte-americana continua “favorável”, sublinhou o dirigente do banco central norte-americano, quando a taxa de desemprego está nos 3,6 por cento.

As afirmações de Jerome Powell foram corroboradas pelas do presidente do banco da Fed em St Louis, James Bullard, que considerou “exagerado” o cenário de uma descida da taxa de juro em 50 pontos-base (0,50 por cento) durante a próxima reunião da comissão da Fed sobre política monetária (FOMC, na sigla em inglês), em julho.

“Os investidores, que recentemente avançaram com força na expetativa de uma redução em 50 pontos-base no próximo mês, ficaram dececionados por o chefe da Fed e Bullard não terem adotado uma posição ainda mais acomodatícia”, afirmaram os analistas da Briefing.

Estes analistas detalharam contudo que Bullard tinha defendido uma descida em 25 pontos-base durante a próxima reunião do FOMC.

As perspetivas de descida das taxas favorecem as cotações bolsistas, tradicionalmente devido às antecipações de crédito mais barato.

Antes dos comentários dos banqueiros centrais, a divulgação de dois indicadores “pesou” na tendência, na opinião de Peter Cardillo, da Spartan Capital.

A confiança dos consumidores caiu em junho, ao contrário do que os analistas esperavam, para o seu nível mais baixo em quase dois anos. As vendas de casas novas, por seu lado, recuaram em maio pelo segundo mês consecutivo, quando os analistas esperavam uma subida.

Em resultado destas estatísticas, a taxa de juro da dívida pública dos EUA a 10 anos no mercado obrigacionista caiu para 1,995 por cento, às 21:30 de Lisboa, dos 2,014 por cento de segunda-feira.

A descida desta taxa de juro é interpretada como um sinal de problemas no crescimento da economia norte-americana.

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