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Viticultores devem apostar em castas mais resistentes contra alterações climáticas

O investigador alemão Reinhard Töpfer defendeu hoje que os viticultores devem apostar em “castas mais resistentes” para se adaptarem às alterações climáticas e desafiou os produtores em Portugal, sobretudo no Alentejo, a testarem novas variedades.

“Os desafios que enfrentamos são ambientais, devido às alterações climáticas, e de sustentabilidade. Precisamos de nos adaptar a estas mudanças e participar em algumas experiências e testar novos materiais genéticos que já existem, para, lentamente, mudar de um sistema tradicional para outro mais vocacionado para o futuro”, disse.

O investigador, que dirige um centro especializado na criação e reprodução de videiras no Julius Kühn-Institut (JKI), na Alemanha, explicou à agência Lusa, em Évora, que mesmo as castas tradicionais existentes “têm pontos fortes e pontos fracos” e que, nesta preparação para o futuro, “os viticultores devem começar a experimentar novas coisas que, se calhar, estão melhor adaptadas a determinados ambientes e condições climatéricas”.

Segundo Reinhard Töpfer, que protagonizou hoje uma conferência no 11.º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, intitulada “Resistant Varieties – Breeding for a viticulture without tradition?”, tem existido investigação científica e programas de criação de novas castas, a partir do cruzamento de outras, em diversos países europeus, para conseguir variedades mais resistentes a doenças, fungos e às alterações climáticas.

Atualmente, já há “50 novas castas disponíveis na Europa, feitas a partir da seleção natural”, ou seja, “do cruzamento de castas tradicionais, a partir da polinização”, na tentativa de criar “variedades mais resistentes”, revelou.

“É possível utilizar as novas castas para ensaios. Na Alemanha, por exemplo, as regras ditam que um produtor possa adquirir a nova casta para uma plantação experimental, oficialmente aprovada, e depois pode produzir em pequena escala para conhecer o novo material. E isto é algo que já se faz de forma similar em França e em Itália e também poderia ser possível, em termos gerais, pela Europa”, defendeu.

Mas, ressalvou o investigador, as uvas destas castas “não servem para fazer vinho para comercializar”, porque, por enquanto, as variedades obtidas destes cruzamentos, em que se tenta adaptar a planta a determinadas condições climatéricas ou menos suscetível a certas doenças ou fungos, têm como fim “analisar a sua evolução e adaptação”.

“São processos lentos, é preciso ganhar experiência para saber, a partir dessa criação e seleção, quais as castas que poderão ser cultivadas e se poderão adaptar em cinco ou 10 anos”, pelo que os viticultores devem “começar a habituar-se a estas novas coisas e a desenvolver novos produtos para novos mercados”.

“Já tivemos milhares de diferentes castas no passado e algumas delas eram superiores às que existem agora. Entre as novas, também temos de perceber quais é que são superiores e, sob determinadas condições, quais se adaptam e crescem. No norte da Europa muitas delas estão a ser cultivadas e poderia ser uma boa ideia começar a fazer esta experimentação aqui em Portugal, por exemplo no sul, no Alentejo”, sugeriu.

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