Economia

Vídeo: Nobel da Economia arrasa “fraude” dos ratings e “mandamento divino” do défice orçamental

Portugal superou as expetativas do Nobel da Economia Joseph Stiglitz. O ex-conselheiro do Bill Clinton não entende o que leva a União Europeia a apostar num “modelo falhado”, com regras “ditadas por Deus” e com as agências “políticas” a darem ratings fraudulentos. O sucesso da moeda única, acrescentou ainda, é feito à custa do agravamento da desigualdade social.

Os elogios à nossa economia foram o único ponto positivo da intervenção do Nobel da Economia nas Conferências do Estoril. De resto, o norte-americano disparou em todas as direções: contra a fraude das agências de rating, contra o ‘divino’ Pacto de Estabilidade, contra o agravamento da desigualdade social em nome da moeda única, contra a incapacidade de antecipar as bancarrotas, contra a especulação e contra as aventuras da banca.

“As agências de rating têm um historial terrível”, lembrou: “Não podemos esperar que sejam racionais ou justas, são instituições profundamente politizadas que fingem dar avaliações com independência. Têm um comportamento político. [O rating de Portugal] devia subir, mas estão tão politizadas que ninguém antecipa o que vão fazer”.

O Nobel da Economia defendeu a reforma da estrutura económica de toda a zona euro, que “está errada” por assentar em “modelos falhados”, como é o caso do Pacto de Estabilidade.

“De onde vêm estes números que dizem que o défice não pode ser maior do que três por cento do PIB, que a dívida tem de ser de 60 por cento ou que a inflação não pode ser superior a dois por cento? São números criados pelo Homem, que, como todas as instituições humanas, são falíveis. Não têm base económica, no entanto, hoje, na Europa, esses números são tratados como se fossem dados por Deus, como se fossem parte da criação. Violar esses números é como se fosse violar as leias da natureza”, satirizou.

É essa teimosia com números “que vieram do ar” que estão a conduzir ao fim da União (Europeia), “uma casa em construção que ficou pela metade”.

“A ideologia que existia na época em que o euro foi criado fez as mesmas regras que toldaram o sucesso da moeda única”, explicou o autor do livro ‘O euro e a sua ameaça ao futuro da Europa’: “A moeda única criou um sistema divergente, quando devia haver era convergência. Devia ter puxado os mais pobres para cima, mas tornou os pobres mais pobres e os ricos mais ricos. Provocou o aumento das desigualdades”.

Joseph Stiglitz, professor da Universidade de Columbia (EUA), salientou ainda que a austeridade imposta a Portugal e a outros países “pela Alemanha” teve “um custo enorme” e “totalmente desnecessário”, que “penalizou a recuperação” ao invés de a estimular.

Num oceano de críticas, o Nobel da Economia deixou uma onda de elogio a Mário Centeno, “alguém com um grande conhecimento da diversidade da Zona Euro”. Ou melhor, usou o ministro português como arma contra o presidente do Eurogrupo que critica os países membros por gastarem dinheiro “em copos e mulheres”.

“Como uma pessoa que está de fora, fiquei horrorizado com as afirmações de Dijsselbloem. São um exemplo das disfunções da Europa. Quando fez afirmações como aquelas, devia ter-se demitido”, concluiu o reputado economista norte-americano.

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