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Vídeo: Júlia Pinheiro “chocada” com acórdão de juíza que iliba Carrilho

Júlia Pinheiro mostrou-se “chocada” com o acórdão da absolvição de Manuel Maria Carrilho num caso onde o ex-ministro era suspeito de violência doméstica contra Bárbara Guimarães. Visivelmente desagradada e incomodada, na ‘Crónica Criminal’ do programa ‘Queridas Manhãs’, da SIC, nesta segunda-feira, Júlia Pinheiro disse não aceitar a justificação dada pela juíza no relatório da sentença.

“A senhora juíza é soberana no seu Tribunal. Decidiu está decidido. Eu só não gostei de algumas frases do acórdão, nomeadamente aquelas em que a senhora juíza achou que a Bárbara por ser informada e com informação diferenciada por ser, provavelmente, profissional de comunicação e por ser independente financeiramente e por ter capacidade para se movimentar para tentar provar a violência que diz ter sido submetida, pecou. Ou seja, não teve o discernimento de ir comprovar as suas agressões ao Instituto de Medicina Legal ou então a outro qualquer hospital”, explicou Júlia Pinheiro.

A apresentadora da SIC, que foi testemunha no caso, revelou ainda que, para si, “todas as vítimas são iguais”.

“Eu considero que esta formulação do acórdão discrimina positivamente a Bárbara. A Bárbara não pode ser uma vítima igual às outras porque tem mais informação que as outras. Tendo mais informação não foi vítima. Ou, pelo menos, aquilo que foi provado em Tribunal não chegou (…) porque ela tinha obrigação de provar de outra maneira. E a mim isto choca-me”, lamentou sobre a leitura que faz da sentença.

Na conversa com Hernâni Carvalho, Júlia Pinheiro prosseguiu, visivelmente desagradada com o desfecho do tema.

“Uma pessoa que tem mais informação pode ter o mesmo comportamento daquelas que têm menos. Têm vergonha, têm o sentimento da humilhação, têm o sentimento de pudor, proteção da família e tudo mais. Este é o comentário que eu tenho de fazer porque fiquei… pensei que as vítimas eram todas iguais.”

Desagradada com o relatório, Júlia Pinheiro disse ainda não aceitar o desfecho deste caso.

“O que eu sei é que as pessoas que se dizem vítimas de violência doméstica – neste caso a senhora juíza considerou que a Bárbara não tinha sofrido nem violência física nem psicológica – são todas iguais. Não é por ter mais ou menos posição que devem ser penalizados por isso. E é dito explicitamente no acórdão (…) mesmo que a senhora juíza pudesse pensar isso, não ficou bem no acórdão. Dizer: ‘esta mulher por ter mais informação que as outras, por ser economicamente independente e por ter uma posição diferenciada na sociedade… ela tinha a obrigação de saber mais e de ir ao hospital'”, afirmou num tom que revelava desconforto com a situação.

“Isto eu não aceito. E está aí [no acórdão] escrito “, desabafou.

João Paulo Rodrigues ia deixar a sua opinião sobre o caso e Júlia Pinheiro travou o companheiro, para continuar ela a explicar o que pensava.

“Deixa-me só acabar. Isto eu não aceito. Quer a Bárbara, quer outra mulher ou homem que seja submetido a violência terá o mesmo sentimento de pudor, de aflição, de vergonha e de humilhação”, disparou.

A finalizar, Júlia Pinheiro ironizou: “Espero que a minha opinião não seja crime.”

Na acusação, conhecida na passada sexta-feira, o Tribunal não deu como provadas as queixas de Bárbara Guimarães.

“Um relatório pericial de dano corporal seria, seguramente, um fortíssimo e decisivo elemento de prova a apresentar num julgamento por crime de violência doméstica”, considerou a juíza Joana Ferrer.

Sobre este caso, Júlia Pinheiro mostrou-se desagradada com esta situação.

Veja o vídeo:

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