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Vídeo: A imperdível entrevista de Ramalho Eanes à RTP

“Nós, os velhos, vamos ser os primeiros a dar o exemplo. Não saímos de casa, recorremos sistematicamente aos cuidados que nos são indicados e mais, quando chegarmos ao hospital, se for necessário oferecemos o nosso ventilador ao homem que tem mulher e filhos”, disse Ramalho Eanes, em entrevista à RTP. Veja o vídeo.

Em entrevista à estação pública, nesta quarta-feira, o general Ramalho Eanes abordou o momento que o mundo atravessa, em virtude da pandemia que provoca morte, sofrimento, isolamento, problemas sociais, as medidas políticas em Portugal.

O primeiro Presidente da República eleito após o 25 de Abril de 1974 deixou uma ideia forte.

“Nós, e eu falo porque sou um velho, tenho 85 anos, nós, os velhos, devemos pensar que a nossa situação é igual à das outros. E se alguma coisa há, é a obrigação suplementar de dizer aos outros que isto já aconteceu, que se ultrapassou, que [esta crise] vai ser ultrapassada”, assegurou o antigo chefe de Estado.

“Nós, os velhos, vamos ser os primeiros a dar o exemplo. Não saímos de casa, recorremos sistematicamente aos cuidados que nos são indicados e mais, quando chegarmos ao hospital, se for necessário oferecemos o nosso ventilador ao homem que tem mulher e filhos”, disse Ramalho Eanes, em entrevista à RTP. Veja o vídeo.

Ramalho Eanes destacou que “esta batalha é de todos” e que a situação “exige que sejamos humildes e virtuosos.”, para que “percebamos de uma vez por todas que somos falíveis e, além de falíveis, muito frágeis”.

“Temos de pensar menos no eu e mais no nós”.

“O Homem é um ser social. Quer estar com os outros. E nós pedimos-lhe que fique em casa, que não saia, que não esteja com os seus entes queridos, que não faça o luto. Isto é um pedido enorme”, salientou Ramalho Eanes.

As pessoas “alimentam o medo, e com razão, e alimentam mitos, sem razão”.

O general entende que “é preciso ultrapassar o medo, é preciso perceber que poderemos vencer esta crise, à semelhança de muitas outras crises”, mas “só poderemos vencê-la pensando em nós e atuando em função disso”.

“Esses momentos são inqualificáveis. Não se pode expressar verbalmente aquilo que se sente. Mas é possível ultrapassá-los quando a solidariedade é manifesta, a ligação entre os Homens é correta e quando se pensa que a vida é uma passagem e que não podemos evitar que a morte surja”, destacou.

“A espiritualidade não está no alto culto. A espiritualidade está em nós e na relação de nós com os outros. Cristo é amor puro. E o que é amor puro? É estar com os outros. E se pensarmos assim atenua-se a mágoa de não fazermos o luto”.

O combate à pandemia está a ser bem feito, em Portugal, mas poderia, segundo Ramalho Eanes, ter sido mais ágil. O antigo chefe de Estado salienta, no entanto, que é fácil fazer análises “depois de as coisas ocorrerem”.

“O que fizemos fizemos bem, mas com algum atraso. Talvez tivesse sido melhor mais antecedência. Embora seja fácil dizer o que é melhor depois das coisas acontecerem”, afirmou.

Para o futuro, uma lição para a Humanidade: “O Homem julgou que era capaz de tudo, que podia dominar tudo. Esta situação pandémica mostra que afinal continua a ser o ser frágil, falível, que tem de estar em permanente ligação e comunhão com os outros”.

Ramalho Eanes está seguro de que a crise de saúde provocada pelo novo coronavírus irá “fazer com que repensemos o próprio Estado, as próprias funções do Estado”.

Veja a entrevista na íntegra através deste link, da RTP.

 

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