Justiça

Urban Beach: Três ex-seguranças da discoteca em silêncio no início do julgamento

Os três ex-seguranças arguidos no processo das agressões junto à discoteca Urban Beach, acusados de tentativa de homicídio de dois homens, remeteram-se hoje ao silêncio na primeira sessão do julgamento, no Campus de Justiça, em Lisboa.

No início do julgamento, que decorre no Tribunal Central de Lisboa, os arguidos, com 31, 38 e 40 anos, ex-funcionários da empresa que prestava serviço de segurança na discoteca, acusados pelo Ministério Público (MP) de tentativa de homicídio de dois homens que foram agredidos com violência a 01 de novembro de 2017 junto à discoteca Urban Beach, no Cais da Viscondessa, em Lisboa, remeteram-se ao silêncio.

A sessão ficou marcada ainda pela indecisão de um dos ofendidos, que se constituiu como assistente no processo, na identificação dos três arguidos.

André Reis, atualmente com 22 anos, o único dos dois ofendidos a ser ouvido hoje, identificou os três arguidos como os seguranças responsáveis pelas agressões de que foi alvo, juntamente com “outro amigo” com quem estava naquela, mas apenas conseguiu identificar nominalmente um deles.

No final da primeira sessão do julgamento, a defesa de um dos arguidos apresentou um requerimento, alegando que há “contradições entre declarações do assistente [durante a sessão]” e as declarações prestadas na fase de inquérito do processo.

O julgamento prossegue na manhã de 12 de fevereiro, no Juiz 6, do Campus de Justiça, em Lisboa.

Segundo o despacho de acusação do MP, pelas 06:30 de 01 de novembro de 2017, os arguidos estavam de serviço quando foram informados da presença de um grupo de quatro pessoas, do qual faziam parte os dois ofendidos. Foi-lhes transmitido que esse grupo estaria a provocar clientes que se encontravam na rulote de comes e bebes, localizada na mesma zona da discoteca.

Os três arguidos, juntamente com o homem que lhes passou a informação, dirigiram-se às rulotes de comes e bebes.

Chegados ao local, confrontaram os ofendidos, “nomeadamente com o facto de ali se encontrarem a assaltar pessoas”, e um dos arguidos, “súbita e inesperadamente, desferiu um soco na parte frontal do rosto” de uma das vítimas que “a fez cair por terra”, descreve a acusação.

Com a vítima no chão, “o mesmo arguido retirou do bolso uma navalha e desferiu um golpe na coxa direita”.

De seguida, correu atrás de um menor, de 15 anos, “com o propósito de o agredir” com a faca, mas o adolescente conseguiu fugir, pelo que o segurança “centrou novamente a sua atenção” no outro jovem, que, entretanto, se levantara do solo, e agrediu-o na cabeça.

Um dos outros arguidos “aproximou-se também daquele ofendido, contornou-o pelas costas e desferiu-lhe um pontapé na parte de trás da cabeça”.

Esta vítima, “em grande sofrimento face à violência dos golpes que lhe foram infligidos”, conseguiu levantar-se. Um segundo ofendido tentou levantá-lo, com a ajuda do terceiro arguido, que, entretanto, se aproximou deles.

Porém, nesse momento, o terceiro arguido também cometeu agressões, tendo inclusivamente saltado “a pés juntos para cima da cabeça” de um dos jovens.

Os dois ofendidos deram entrada nas urgências do Hospital de São José, em Lisboa, com vários traumatismos, lesões e fraturas.

Um dos arguidos encontra-se em prisão preventiva ao abrigo do processo do grupo de motociclistas “Hells Angels”, enquanto os outros dois estão em liberdade, mas com proibição de contactos com os ofendidos e coarguidos, e do exercício da atividade de segurança privada.

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