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UE com “diferenças grandes demais” para chegar a acordo sobre orçamento

Os chefes de Governo da Alemanha, França e Espanha mostraram que as diferenças são grandes para que se chegar a um acordo sobre o próximo orçamento da União Europeia, no final, hoje, de um Conselho Europeu extraordinário e inconclusivo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que as diferenças “são grandes demais para se chegar a um acordo sobre o orçamento da União Europeia”, após a cimeira dos 27 países da União Europeia, que começou quinta-feira e terminou hoje em Bruxelas sem um entendimento sobre o quadro financeiro plurianual para o período 2017-2027.

“Teremos de rever o assunto”, disse a líder alemã, deixando o problema nas mãos do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, mas avisando que os lideres devem “ser conscientes do que é realista2 nas suas demandas.

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, sublinhou a rejeição da proposta do orçamento da UE por, na sua opinião, não acautelar as questões económicas e sociais mais urgentes da Europa.

Sánchez considera que, “sem dúvida”, há espaço para melhorar o orçamento e que Espanha aposta nesse trabalho de transformação das propostas iniciais, mas reconheceu que há muitas diferenças para ultrapassar.

“Estamos a falar de justiça. E não há nada mais justo do que coesão, porque ela significa igualdade, estejamos onde estejamos”, disse o presidente do Governo espanhol, no final da cimeira.

Por isso, Sánchez disse que continuará a lutar para que a Política Agrícola Comum (PAC) e a política de coesão tenham um “financiamento justo e devido”.

Referindo-se também à PAC, o Presidente francês, Emmanuel Macron, disse que ela não deve “pagar pelo ‘Brexit’”, referindo-se ao impacto no orçamento comunitário da saída do Reino Unido.

“Não sacrificamos a Política Agrícola Comum. E eu disse isso claramente: a PAC não pode pagar pelo ‘Brexit’”, disse Macron à saída da cimeira.

Nestas negociações em Bruxelas, os países do grupo dos Amigos da Coesão, onde se inclui Portugal e em nome dos quais falou o primeiro-ministro António Costa, e os países “frugais” – os contribuintes líquidos, designadamente um ‘quarteto’ formado por Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia – não conseguiram compatibilizar posições, o que Sánchez lamentou, dizendo que foram levantados equívocos entre o que se julga ser bom e o que se julga ser mau.

Para o líder espanhol, em sintonia com o Presidente francês, as políticas agrícolas e de coesão devem estar próximas dos anseios dos cidadãos, fortalecendo o mercado comum, criticando a forma como se estigmatiza estas áreas cruciais para o desenvolvimento da União.

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