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TVI pede desculpa por “frase infeliz no ecrã”

Direção de Informação da TVI justifica a reportagem sobre os casos de covid-19 no norte, que considera legítima, “genuinamente construtiva e socialmente relevante”. Mas lamenta a “frase infeliz no ecrã”, que aponta falta de educação e pobreza como justificações para a maior incidência da doença naquela região. “Com a mesma humildade que a todos pedimos desculpas por um erro que somos os primeiros a lamentar”, pode ler-se numa nota assinada por Sérgio Figueiredo.

A TVI emitiu uma nota a reagir à polémica, gerada pela reportagem de ontem, no Jornal das 8, em que se “pretendia explicar os motivos que levam a Região Norte a constituir-se como a parte do território nacional onde a Covid-19 regista um número bastante superior de casos positivos e de óbitos devido à pandemia, face às outras regiões”.

Num comunicado, justifica-se a realização da reportagem, que resulta de uma preocupação “legítima e construtiva: porquê e como responder àquelas populações particularmente afetadas?”

“Do ponto de vista jornalístico é normal que se questionem as razões que, numa só região, e segundo os dados oficiais, se registem 60% de todas as pessoas infetadas e 57% dos óbitos do país devido à doença. E do ponto de vista social consideramos que questionar é o primeiro passo para encontrar as respostas necessárias na resolução do flagelo”, continua o comunicado.

Classificando os procedimentos para a reportagem como corretos, e não obstante “as redações que produzem jornalismo estarem a trabalhar em condições terríveis”, a TVI “fez o que estava certo: questionou algo relevante, falou com quem sabe e produziu uma reportagem com uma intenção genuinamente construtiva e socialmente relevante”.

Porém, a estação assume um erro, na “construção de uma frase infeliz no ecrã” e “na parte do texto que a suportava”, em particular “aquela que, entre as razões demográficas e sociológicas indagadas, sugeria níveis de educação abaixo da media nacional”.

“Essa frase foi por muitos interpretada como uma ofensa às gentes do Norte – o que não era evidentemente o nosso propósito”, aponta a estação televisiva.

“Um erro grosseiro – que não foi previamente detetado nestas difíceis condições em que a pandemia também coloca ao trabalho dos jornalistas e de uma televisão – não caracteriza todo um Jornal e, menos ainda, uma estação televisiva que todos os dias acorda guiada pela sua mais nobre missão que é servir os portugueses. Sem exceções e sem discriminações de natureza alguma”, conclui o comunicado.

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