Economia

Troika apoia Orçamento e quer que Passos mantenha políticas de austeridade

troikaA austeridade em Portugal é para manter, segundo Abebe Selassie, representante do FMI na delegação da troika. Selassie defende que o Orçamento de Estado deve privilegiar o cumprimento do programa de ajustamento e não dá sinais de abertura para uma mudança de plano. Também o Eurogrupo elogia o Governo de Passos Coelho, considerando a proposta orçamental “muito boa”.

Fundo Monetário Internacional (FMI) e Eurogrupo estão de acordo nos elogios ao Governo e a Vítor Gaspar, após analisarem a proposta de Orçamento de Estado que o executivo de Passos Coelho apresentou ao país.

Abebe Selassie considera que Portugal deve dar seguimento ao processo de ajustamento das contas públicas, prioridade que este Orçamento salvaguarda. Por seu turno, o Eurogrupo vai mais longe e defende que essa proposta de Orçamento “é muito boa”.

Estas manifestações de apoio são, no entanto, contraditórias com as afirmações recentes de Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, que considerou que houve erros de análise sobre o efeito da austeridade nas economias, com prejuízo para os países que enfrentam processos de ajustamento.

O que pareciam ser sinais do FMI para renegociar o programa de Portugal foram estancados com as declarações de Abebe Selassie, que elogia a austeridade e mantém como prioritário o cumprimento do défice, mesmo com perspetivas de recessão agravada e aumento do desemprego.

Vítor Gaspar tem assim ‘carta branca’ da troika para prosseguir com este Orçamento de Estado. FMI, Banco Central Europeu e Eurogrupo manifestaram palavras de apoio ao documento, que consideram não ser exageradamente recessivo e permitirá a Portugal corrigir o défice.

Thomas Wieser, do Eurogrupo, afirmou mesmo que “o Governo português agiu de forma correta”, nesta proposta para 2013, mantendo o rumo do ajustamento.

Abebe Selassie afirmou, por outro lado, que Portugal tem conseguido “progressos notáveis, nos últimos 18 meses”, tendo em vista o ajustamento orçamental, mas que deve manter essa como principal prioridade. O país deve, segundo aquele membro da delegação da troika, insistir no ajustamento, uma vez que a dívida portuguesa continua em níveis elevados.

“Portugal assinala progressos notáveis, em termos de reformas estruturais e consolidação orçamental, com grande sacrifício e determinação dos políticos e do povo português”, disse Abebe Selassie, que falava em Washington.

“O ajustamento orçamental é imperativo, para Portugal recuperar a capacidade de se autofinanciar a taxas de juro razoáveis”, defendeu. O FMI não vai rever as perspetivas de recessão para Portugal, em 2013, apontando para um por cento, à semelhança do executivo de Passos Coelho.

 

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