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Trabalhadores recebem 73,4 por cento do salário bruto que lhes é pago

Um trabalhador com um salário médio e sem filhos recebeu em Portugal, em 2018, em média, 73,4 por cento do valor bruto que lhe foi pago, um valor ligeiramente superior ao de 2017 (72,5 por cento).

Dados hoje divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) no relatório “Taxing wages 2019” mostram que os impostos e as contribuições para a segurança social absorveram, em média, 26,6 por cento do salário bruto dos portugueses em 2018, tendo em conta um trabalhador com salário médio e sem filhos (27,5 por cento em 2017).

Apesar da descida, aqueles 26,6 por cento colocam Portugal acima da média da OCDE, onde os impostos e contribuições para a segurança social representaram no ano passado 25,5 por cento daquilo que recebeu o trabalhador solteiro, sem filhos e com um salário médio.

Portugal surge assim como o 16.º país onde a diferença entre o valor bruto e o valor líquido é maior.

Com diferenças ainda maiores surgem a Bélgica onde o peso dos impostos e das contribuições absorveram 38,8 por cento do salário bruto, seguida da Alemanha, com 39,7 por cento, enquanto no extremo oposto está o Chile, com 7 por cento.

Este relatório mede também a “tax wedge”, um indicador que calcula o peso dos impostos e das contribuições no custo do trabalho, incluindo, assim, não apenas o IRS e o desconto de 11 por cento que cada trabalhador faz para a segurança social, como também a Taxa Social Única a cargo do empregador (23,75 por cento).

De acordo com este indicador, o relatório mostra que os impostos e as contribuições para a segurança social pesaram, em 2018, 40,7 por cento no salário médio de um trabalhador solteiro e sem filhos, valor ligeiramente inferior aos 41,4 por cento observados em 2017 e, para esta descida, contribuíram as mudanças observadas na sobretaxa do IRS e no alargamento de cinco para sete dos escalões de rendimentos coletável.

Aqueles 40,7 por cento refletem uma parcela de 12,6 por cento atribuível ao IRS, enquanto 8,9 por cento dizem respeito a contribuições a cargo do trabalhador e 19,2 por cento às contribuições pagas pela entidade empregadora.

Neste indicador Portugal também surge acima da média da OCDE (36,2 por cento), ocupando a 14.ª posição dos países em que se paga mais imposto e contribuições, superando o valor observado em Espanha (39,4 por cento), Luxemburgo (38,2 por cento), Noruega (35,8 por cento), Dinamarca (35,7 por cento), Irlanda (32,7 por cento), Suíça (22,2 por cento) ou Chile que, com 7 por cento, surge, também aqui, no fundo da tabela, o que se explica pelo facto de os trabalhadores chilenos apenas pagarem com os seus salários as contribuições sociais.

Segundo a OCDE, o panorama melhora no caso dos trabalhadores casados e com dois filhos, situação em que os impostos e contribuições para a segurança social pesaram 29 por cento da remuneração em 2018. O valor é mais baixo do que o registado no ano anterior, mas supera os 26,6 por cento de média da OCDE.

As mudanças que têm sido feitas ao IRS ajudam a explicar grande parte das oscilações na “tax wedge” desde o ano 2000 e mostram porque é que este indicador registou o valor mais baixo em 2009 (36,5 por cento) e ultrapassou a fasquia dos 40 por cento a partir de 2013, ano em que o anterior governo criou uma sobretaxa de IRS (cujos efeitos foram integralmente eliminados em 2018) e aumentou as taxas do imposto.

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