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Trabalhadores da RTP contra a despesa “injustificável” da entrevista a Passos Coelho em São Bento

passos coelhoA entrevista a Passos Coelho foi encarada como uma ofensa pela Comissão de Trabalhadores, que acusou o primeiro-ministro de gastar “milhares de euros” só para evitar encarar “os trabalhadores de uma empresa que o Governo está em vias de destruir”.

O primeiro-ministro concede esta noite uma entrevista à RTP, para explicar melhor as medidas de austeridade, mas exigiu que a mesma decorra em São Bento e não nas instalações da empresa pública. A exigência não caiu bem junto dos funcionários da RTP, com a Comissão de Trabalhadores (CT) a considerar “injustificável” a despesa – o DN avalia o custo entre 5000 a 5500 euros – necessária para a deslocação dos meios humanos e técnicos.

Ao exigir que a entrevista seja em São Bento, Passos Coelho evita estar “cara-a-cara os trabalhadores de uma empresa que o Governo está em vias de destruir”, acusa a CT: “não entendemos que, só para se poupar a esse confronto, tenha imposto a realização da entrevista em São Bento, com um custo adicional de milhares de euros para o erário público, injustificável em tempo de cortes na despesa”.

Apesar de considerar uma afronta a recusa do primeiro-ministro em deslocar-se às instalações, a CT garante que os profissionais envolvidos na “tarefa especialmente ingrata” desta noite irão cumprir as funções “sob protesto”, mas “com o profissionalismo de sempre”, apesar de trabalharem numa empresa que o Governo quer condenar ao “desmembramento”. Uma “ideia fixa” que apenas prova que nunca foi “estudado o assunto com seriedade”.

No mesmo comunicado, os trabalhadores acusam ainda vários elementos do Executivo de “ignorância” sobre o que é o serviço público de rádio e televisão: “Um deles já o definiu até como o somatório de ‘missa e tempos de antena’. Nós, profissionais da RTP, sabemos que serviço público não é isso”.

“Não é certamente o tempo de antena de um primeiro-ministro desgastado, que, lá por ter pressa em privatizar a RTP às fatias, não deixa de querer utilizá-la até ao último sopro”, conclui a CT.

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