Economia

“Todos na Europa percebem a natureza desta crise”, afirma Centeno

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse hoje que, “todos na Europa percebem exatamente a natureza” da crise económica causada pelo Covid-19, e que sentiu “um sentido de urgência, de responsabilidade, de partilha” nos responsáveis europeus ainda não observado.

“Todos na Europa percebem exatamente a natureza desta crise, o seu caráter totalmente exógeno à vontade dos governos, a eventuais más políticas que tivessem sido seguidas. Não estamos a falar de crises estruturais”, disse Mário Centeno em resposta a uma pergunta sobre se será necessário um plano com características semelhantes ao Marshall (adotado na Europa no final da II Guerra Mundial pelos Estados Unidos), adaptado à crise económica causada pelo Covid-19.

Em conferência de imprensa conjunta com o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, o também presidente do Eurogrupo – o grupo informal de ministros das Finanças da zona euro – referiu que nos anos em que tem trabalhado com instituições europeias “não tinha ainda observado” tanto “sentido de urgência, de responsabilidade, de partilha”.

“Estamos a responder a um desafio que coloca em causa aquilo que é o nosso contexto social, o nosso contexto civilizacional e a nossa forma de estar no mundo, em democracia. Não podemos soçobrar a este desafio”, asseverou Mário Centeno.

Anteriormente, o ministro das Finanças tinha dito que a contenção já implementada devido ao novo coronavírus “está a levar a economia a tempos de guerra”, referindo que o momento exige “uma resposta sem precedentes”.​​​​​​​

Também o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, se referiu aos planos posteriores à injeção de liquidez atualmente necessária às empresas, dizendo que “oportunamente” se terá de “considerar os estímulos ao crescimento, que quando a epidemia se dissipar, forem necessários para arrancar”.

“Seguramente estaremos articulados com os outros Estados-membros da União Europeia e as instituições europeias para responder à altura do desafio”, concluiu Pedro Siza Vieira.

O Governo anunciou hoje um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas no montante total de 3.000 milhões de euros, destinadas aos setores mais atingidos pela pandemia Covid-19.

Em conferência de imprensa conjunta dos Ministérios das Finanças e da Economia, transmitida ‘online’, o ministro da Economia anunciou um conjunto de linhas de crédito, garantidas pelo Estado, que alavacam para 3.000 milhões de euros o apoio à tesouraria das empresas.

Estas linhas de crédito têm um período de carência até ao final do ano e podem ser amortizadas em quatro anos, referiu Pedro Siza Vieira.

O conjunto de medidas hoje apresentadas na área contributiva, fiscal e de garantias, garante, segundo governante, um valor de aumento de liquidez imediata das empresas próximo dos 9.200 milhões de euros: 5.200 milhões na área fiscal, 3.000 milhões em garantias e 1.000 milhões na área contributiva.

Face ao segundo trimestre, isto representará um “esforço de aumento da liquidez de 17% do PIB trimestral”, adiantou Mário Centeno.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou na terça-feira o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou uma reunião do Conselho de Estado para hoje, para discutir a eventual decisão de decretar o estado de emergência.

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