Justiça

Tancos: Degradação das instalações e redes eram sobejamente conhecidos, diz ex-comandante

O coronel de infantaria Alves Pereira, ex-comandante do Regimento de Paraquedistas, defendeu hoje que os problemas e insuficiências dos paióis de Tancos eram “sobejamente” conhecidos e garantiu que foram “frequentemente reportados” às unidades responsáveis.

Ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao furto de material de guerra em Tancos, em junho de 2017, o ex-comandante do Regimento de Paraquedistas afirmou-se de “consciência tranquila” sobre a forma como cumpriu a missão de vigilância dos paióis, em períodos de um mês, rotativamente com outras Unidades, entre outubro de 2013, e outubro de 2016.

“Recorrentemente afirmei que uma área tão grande, com meios de deteção obsoletos e inoperantes dificultava a vida a quem estava de serviço”, disse o militar.

Para além dos relatórios normais, obrigatórios, o ex-comandante disse que tomou a iniciativa de redigir mais dois relatórios “devidamente ilustrados e fundamentados e que radiografavam bem a situação dos paióis”.

Esses documentos foram enviados ao escalão superior e à Unidade que coordenava e supervisionava a segurança dos paióis nacionais de Tancos, a Brigada de Reação Rápida, disse.

Esta Brigada “também reportava superiormente as deficiências que lhe eram reportadas pelos Regimentos”, acrescentou.

O militar descreveu o “mau estado das redes periféricas” do perímetro dos paióis, sensores de movimento desligados e câmaras de deteção de imagem inoperacionais, frisando que apenas conseguiu “algumas melhorias limitadas” durante o tempo em que foi responsável pela segurança dos paióis enquanto comandante do regimento de paraquedistas.

“O próprio comandante do depósito geral de material do Exército não dispunha de orçamento para as [obras] mais importantes, as redes de perímetro, os sensores e as câmaras de vigilância, que eram alterações bastantes onerosas”, justificou.

O ex-comandante frisou por várias vezes que a degradação das condições de segurança dos paióis era “sobejamente” conhecida: “As insuficiências foram tão recorrentes, repetiram-se durante tanto tempo, eram do conhecimento de todos os escalões”, disse.

Falando a título pessoal, o militar defendeu que “urgia uma atuação mais célere”, considerando que lhe parece “ilógico” não ter substituído mais cedo o material de deteção que não estava operacional.

“Se não foi feito, terá havido algum fator impeditivo mas o período foi tão largo que na minha opinião exigia outra celeridade”, reiterou.

Questionado pelos deputados, o militar recusou que o efetivo utilizado para as rondas fosse insuficiente. O que estava definido eram “rondas apeadas ou montadas” com “seis praças, um cabo e um sargento”, numa média de 15 rondas em 24 horas.

Durante os três anos em que, rotativamente, assumiu a responsabilidade pela segurança, o coronel Alves Pereira nunca verificou “qualquer situação de intrusão nos paióis”.

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo.

Mais partilhadas da semana

Subir