Desporto

“Sporting cava todos os dias a própria sepultura”, lamenta Soares Franco

Filipe Soares Franco lamentou a “ambição pelo poder” de Bruno de Carvalho e avisou que a Mesa da Assembleia Geral (MAG) “não tem condições” para garantir a realização da Assembleia-Geral (AG) destitutiva. E o Sporting “afunda-se a cada dia que passa”.

O antigo presidente dos leões concedeu uma entrevista à SIC Notícias para atacar todos os órgãos sociais do clube, em especial o Conselho Diretivo (CD), debater as contas da liderança de Bruno de Carvalho e defender o projeto da “era Roquette”, da qual fez parte.

O antigo dirigente leonino criticou a “enorme ambição de se manter no poder” de Bruno de Carvalho, que “manipula as pessoas” para se manter em Alvalade.

“Faz alertas que não são verdadeiros”, acusou, usando como exemplo a tese de “que existe um novo Sporting desde o Bruno de Carvalho e que o antigo, que referem como a era Roquette, foi mau”.

A”falsa questão” de que Bruno de Carvalho tem de se manter como presidente para que o Sporting possa emitir um empréstimo obrigacionista serviu como argumento para o ex-dirigente rebater essa teoria.

“Não acredito que os parceiros, que são os bancos, estejam confortáveis com tudo o que se está a passar”, apontou.

Os próprios bancos “devem estar impedidos de emprestar mais dinheiro ao Sporting”, o que coloca em causa a capacidade da SAD leonina em honrar os compromissos.

Soares Franco lembrou, ainda antes de confirmada a saída de Jorge Jesus, que falta menos de um mês para o arranque da nova época e o Sporting “não tem plantel definido, não tem capacidade de negociar qualquer jogador, não sabe se tem treinador, tem uma equipa médica que se demitiu toda, os fisioterapeutas desapareceram”.

Puxando dos galões, o antigo presidente frisou que foi “exatamente na época de José Roquette, Dias da Cunha e depois no meu mandato que o Sporting ganhou mais títulos nos últimos, talvez, 30 anos”.

“Essa era termina com Bruno de Carvalho”, reforçou.

O gestor recusou-se a reconhecer mérito à reestruturação financeira realizada pelo CD de Bruno de Carvalho, justificando-se com o facto de desconhecer as contas do clube.

“Só podemos falar da SAD”, que passou “de 20 passou para 135 milhões de VMOC”, um instrumento financeiro que transforma os investidores em accionistas.

Soares Franco não tem dúvidas sobre a “crise sem precedentes” que se vive em Alvalade.

“O Sporting está a cavar todos os dias a própria sepultura”, lamentou.

O antigo presidente referiu também que duvida que a MAG “tenha condições para garantir” a realização da AG para destituir Bruno de Carvalho.

“Tem que ganhar a providência cautelar, porque já se percebeu que a bem o CD não lhe vai ceder as ferramentas e instrumentos necessários, nomeadamente, quanto mais não seja, pagar a MEO Arena”, justificou.

Considerando “óbvio e demonstrado” que as decisões do CD “não cumprem os estatutos”, Filipe Soares Franco apontou também o dedo a Jaime Marta Soares, presidente da MAG, a propósito da ordem de trabalhos da AG de dia 23.

“Se o primeiro ponto é a avaliação do estado do clube e o segundo ponto é a destituição, devia-se começar com esta porque se houvesse destituição já não havia o segundo ponto”, salientou.

O antigo presidente do Sporting concluiu que este “conflito que não leva a lado nenhum” leva apenas ao “afundamento do Sporting por cada dia que passa”.

“Tenho uma enorme esperança que um dia caia uma pedra de bom senso em todos os órgãos sociais do Sporting, em especial no CD, e percebam o mal que estão a fazer”.

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