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Sexo com frequência é saudável para as idosas, mas perigoso para os idosos

Um estudo revela que as relações sexuais frequentes apresentam riscos acrescidos de ataque cardíaco nos homens idosos, mas benefícios nas mulheres. As idosas veem reduzido o risco de hipertensão, enquanto os homens duplicam probabilidades de sofrer um acidente cardiovascular.

As relações sexuais na terceira idade foram alvo de um estudo da Universidade de Michigan, publicado na passada terça-feira, na Journal of Health and Social Behavior. E as conclusões são curiosas.

Os efeitos de um orgasmo são, aos olhos dos investigadores, contrários nos homens e nas mulheres de idade avançada. Nos idosos, o sexo faz crescer os riscos de sofrer um ataque cardíaco. Porém, nas mulheres com idade avançada, ocorre um efeito benéfico: controla-se a hipertensão.

De acordo com Hui Liu, professor-adjunto de sociologia da Universidade de Michigan e coautor da pesquisa, “os resultados deste estudo colocam em causa a ideia generalizada que defende que as relações sexuais são benéficas para a saúde, independemente do género”.

Trata-se do mais amplo estudo realizado sobre esta temática. Os investigadores avaliaram ainda dados de uma pesquisa de âmbito nacional, com data de 2006, que contou com a participação de 2204 pessoas com idades compreendidas entre os 57 e os 85 anos. As conclusões desse trabalho foram obtidas cinco anos mais tarde.

Para a realização do trabalho, os investigadores avaliaram dados relativos à hipertensão, problemas de saúde cardíacos, bem como à proteína C-reativa, presente no sangue, capaz de medir níveis de inflamação.

Ainda em consideração estiveram eventuais acidentes vasculares cerebrais, ataques cardíacos ou outras insuficiências cardíacas, quer nos homens, quer nas mulheres.

Os idosos foram sujeitos a questionários que determinaram os hábitos relativos à sua atividade sexual. E os investigadores verificaram que os homens que praticavam sexo uma ou mais vezes por semana apresentaram – nos cinco anos após o estudo – o dobro dos acidentes cardiovasculares, em comparação com os que se encontravam em sexualmente inativos.

Numa análise às mulheres, a atividade sexual não provocou quaisquer problemas do foro cardíaco.

A justificação do especialista Hui Liu está no esforço físico de uma relação sexual do idoso, aparentemente mais forte no caso do homens, como consequência da dificuldade de ereção e de atingir o orgasmo.

Outra razão poderá encontrar-se no uso de medicamentos para debelar disfunções sexuais. Os fármacos podem provocar, de acordo com os autores deste estudo, problemas cardiovasculares nos homens.

Já numa observação às mulheres com idade semelhante, verificou-se que apresentaram menos riscos de hipertensão quando a atividade sexual é maior. Há uma diferença, em comparação com as que não praticam sexo, ou fazem-no de forma menos frequente.

Os investigadores consideram que o hormónio sexual libertado pela mulher durante o orgasmo pode ser benéfico para a sua saúde.

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