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“Se Marcelo está implicado em Tancos não se pode recandidatar”, diz Ventura

O ex-diretor da Polícia Judiciária Militar afirmou na quarta-feira que o Presidente da República lhe terá garantido que falaria com a ex-Procuradora-Geral da República, depois de queixas suas sobre a direção do inquérito não furto de Tancos. Marcelo desmente, André Ventura considera as acusações graves. “Pedir a um Presidente da República que interceda junto do órgão máximo do Ministério Público relativamente a um qualquer processo de investigação em curso é gravíssimo”, diz o jurista, ao PT Jornal.

Ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao furto de material de guerra em Tancos, Luís Vieira acusou a ex-PGR Joana Marques Vidal de ter cometido “uma ilegalidade” ao retirar a direção do inquérito à Polícia Judiciária Militar (PJM), estando em causa “crimes estritamente militares” que assim “ficaram por investigar”.

O ex-diretor nacional da PJM, arguido no processo que investiga o furto e recuperação do material de guerra, contou que na tarde do dia 03 de julho falou com o então ministro da Defesa Nacional sobre o assunto e que Azeredo Lopes lhe terá dito para “aparecer” em Tancos no dia seguinte, porque iria convidar o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a visitar aquela infraestrutura crítica.

Nessa ocasião, depois da visita ao perímetro dos paióis, houve uma “reunião na casa da guarda” na qual, segundo Luís Vieira, o Presidente da República o questionou sobre o andamento das investigações.

Sobre as investigações em curso “não podia dizer nada”, mas, garante Luís Vieira, perante “dezenas de testemunhas”, disse a Marcelo Rebelo de Sousa que estava preocupado com a posição da PGR sobre a direção do inquérito, que considerou ilegal, e que o fez com insistência.

Logo a seguir ao final da audição, a Presidência da República publicou uma nota no seu “site”, referindo que, como o Presidente da República “já disse várias vezes”, no final da visita a Tancos “o então Ministro da Defesa trouxe para junto de si o então Diretor da Polícia Judiciária Militar”.

“O Presidente da República disse-lhe que haveria de o receber oportunamente, audiência que acabou por nunca se realizar”, acrescenta a nota.

Durante a audição, o coronel Luís Vieira contou que Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que “ia falar com a Procuradora-Geral da República e deu um conselho ao ministro da Defesa para falar com a sua colega ministra da Justiça”.

“Eu partilhei com o Presidente da República do meu estado de alma com a decisão de a PGR ter violado três leis da Assembleia da República, na interpretação que eu faço, e insisti muitas vezes [no assunto] ao Presidente da República”, esclareceu.

Declarações que Marcelo desmente. “Já desmenti há seis meses e não posso andar a desmentir de seis em seis meses”, afirmou o Presidente da República.

André Ventura considera que Marcelo fica em ‘xeque’, se a versão de Luís Vieira for verdadeira.

“As informações avançadas pelo antigo diretor da Polícia Judiciária Militar são gravíssimas para o regular funcionamento das instituições: pedir a um Presidente da República que interceda junto do órgão máximo do Ministério Público relativamente a um qualquer processo de investigação em curso é gravíssimo. Mais anormal ainda é que ele se preste a esse trabalho”, salienta André Ventura, em declarações ao PT Jornal.

“Se Marcelo está implicado em Tancos não se pode recandidatar”, defende o jurista.

“Há várias questões que têm de ser respondidas: essa conversa existiu, ou o antigo diretor da PJM está a mentir? Marcelo acedeu a interferir apenas ou chegou mesmo a fazê-lo? É que se o fez ou prometeu fazer não vejo como se possa apresentar novamente aos portugueses para uma reeleição”, conclui.

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