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“Se as pessoas vissem o que eu vejo nos hospitais, não iam para as filas do supermercado”

Maxine Mbanba, jogador de râguebi que tem sido voluntário no combate à Covid-19 em Itália, país que hoje passou a barreira dos 4000 mortos, partilhou com o mundo um retrato aterrador da pandemia.

O atleta, que alinha no Zebre, tem sido motorista voluntário, vendo diretamente no terreno uma realidade que à grande maioria das pessoas só chega pelos noticiários.

“Se as pessoas vissem o que eu vejo nos hospitais, não iam para as filas do supermercado. Pensavam duas ou três vezes antes de sair de casa, mesmo que fosse só para ir correr”, adiantou Maxine Mbanda, em declarações à AFP.

O atleta é filho de um cirurgião, que exerce em Milão. Ao contrário do pai, não está em contacto direto com infetados. Ainda assim, dialoga com eles, mesmo que sem palavras.

“Quando olhas nos olhos dos pacientes, mesmo que eles não possam falar, eles comunicam através do olhar e dizem coisas inimagináveis”, descreveu: ” Eles ouvem os alarmes, os médicos e enfermeiros a correr de um lado para o outro”.

Num país em que praticamente todos os hospitais se tornaram ‘dedicados’ à luta contra o novo coronavírus, quem está no terreno, mesmo como voluntário, vive situações aterradoras.

“A primeira pessoa com quem falei no hospital tinha-me dito que estava lá há três horas quando alguém no quarto morreu e que durante a noite mais duas outras mulheres tinham falecido no mesmo quarto”, contou Maxine Mbanba.

Há oito dias que este jogador deixou o râguebi e trabalha como voluntário, com rotações “de 12 ou 13 horas”. Está exausto, mas nunca… cansado.

“Com aquilo que vejo nas salas das doenças infeciosas, digo a mim mesmo que não posso estar cansado. Enquanto tiver forças, continuarei”, prometeu.

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