África

São Tomé e Príncipe assume posição 95 em 162 no desenvolvimento sustentável

São Tomé e Príncipe, que ainda não cumpre nenhum dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), foi colocado na posição 95 de 162 países num relatório encomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Com uma pontuação de 65,5 em 100 no desenvolvimento sustentável, São Tomé e Príncipe tem melhor desempenho do que a média da região da África Subsariana, de 53,8.

Trata-se de um relatório realizado por cientistas independentes para a ONU, que avalia o desempenho de 162 países nos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável assumidos na Agenda 2030, apresentado na quarta-feira em Nova Iorque.

O extenso relatório conclui que, como muitos dos 162 países, São Tomé e Príncipe ainda não conseguiu garantir nenhum dos ODS e, por outro lado, o país enfrenta “grandes desafios” em sete objetivos, “desafios significativos” para seis categorias e alguns desafios para outras quatro.

Os números mais positivos de São Tomé e Príncipe enquadram-se no ODS 12 – de produção e consumo sustentáveis e proteção da vida marinha – ODS 14.

Os desafios mais graves para São Tomé e Príncipe situam-se nos ODS de erradicação da pobreza (n.º 1), saúde de qualidade (n.º 3), igualdade de género (n.º 5), água potável e saneamento (n.º 6), energias renováveis e acessíveis (n.º 7), trabalho digno e crescimento económico (n.º 8) e indústria, inovação e infraestruturas (n.º 9).

Através de um sistema de cores, pode ver-se que os grandes problemas nos ODS são comuns na África Subsariana e afetam a quase totalidade dos países incluídos.

O desempenho dos países foi avaliado de acordo com vários indicadores dentro de cada objetivo de desenvolvimento sustentável.

No ODS da pobreza, São Tomé e Príncipe é avaliado de forma negativa por causa de 19 por cento da população que vive com menos de 1,90 dólares (1,70 euros) por dia e 50,6 por cento que vive com menos de 3,20 dólares (2,90 euros) por dia.

O país foi também avaliado de forma negativa em vários indicadores do ODS de saúde, como taxa de mortalidade materna (156 em 100.000 partos) e o índice de tuberculose (118 em 100.000 pessoas).

O relatório indica que cerca de 80 por cento da população são-tomense tem acesso a água potável, um número ainda considerado baixo e que 40 por cento usa serviços de saneamento básicos.

Cerca de 65 por cento da população tem acesso a eletricidade e 17 por cento tem acesso a “combustíveis limpos” e tecnologia para cozinhar.

O relatório apela para o acesso universal a serviços básicos como saúde, higiene, saneamento, educação, habitação e segurança como pré-requisitos para a erradicação da pobreza e avanços no bem-estar humano, com especial atenção às pessoas com deficiências e outros grupos vulneráveis.

De forma geral, o relatório conclui que as mudanças e o desenvolvimento sustentável do mundo são demasiado lentos e não vão garantir o cumprimento dos ODS até 2030.

A ONU considera que os países em desenvolvimento precisam de crescer de forma mais rápida, mas que crescer sem preocupação pelos impactos ambientais (“crescer primeiro e limpar mais tarde”), não é uma opção.

Já os países desenvolvidos necessitam de alterar as dinâmicas de produção e consumo, com limitação de combustíveis fósseis e plástico e com incentivos ao investimento público e privado alinhado com objetivos de desenvolvimento sustentável.

O relatório de desenvolvimento sustentável, produzido por uma equipa de 15 especialistas independentes eleitos pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, é o primeiro a avaliar o cumprimento dos ODS, adotados há quatro anos.

O documento de 480 páginas vai ser lançado oficialmente no fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável da ONU (SDG Summit), que se realiza em 24 e 25 de setembro em Nova Iorque.

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