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“Salário máximo nacional”, com IRS de 85%, é a proposta de Marinho e Pinto

O presidente do Partido Democrático Republicano quer um “salário máximo” em Portugal, que seria taxado “a 85 por cento”. Conheça a principal proposta de Marinho e Pinto, o ex-MPT que concedeu uma entrevista ao Observador o “obsceno” nível salarial “com que as elites se remuneram a si próprias”.

Já tinha saudades de Marinho e Pinto? O eurodeputado eleito pelo Partido da Terra concedeu agora uma entrevista, ao Observador, na qual revela como o Partido Democrático Republicano (PDR), ao qual preside, se encontra a preparar as próximas eleições legislativas.

O ex-bastonário da Ordem dos Advogados admitiu desfraldar como grande bandeira eleitoral o “salário máximo nacional”. Ao invés de propor a subida do salário mínimo, como faz a generalidade dos políticos, Marinho e Pinto marca terreno ao defender um teto salarial para as “elites”.

“Nós no PDR estamos a estudar a possibilidade de instituir um salário máximo nacional”, o qual seria “um teto a partir do qual as taxas de IRS aumentarão, podendo chegar aos 80 ou 85 por cento”.

Isto porque “o escandaloso nem é tanto os baixos salários que se praticam, o que é obsceno em alguns casos são os altos salários com que as elites se remuneram a si próprias”, argumentou ainda Marinho e Pinto, entrevistando o entrevistador: “O sr. admite que haja pessoas que tenham uma pensão de reforma de 170 mil euros por mês? Admite que possa haver pessoas numa empresa e que ao fim do ano recebam dois milhões de euros?”.

O combate às desigualdades (que exemplificou com o citado exemplo de taxar a 85 por cento os salários e as pensões mais altos) não seria feito apenas em sede de IRS, mas também na própria atividade empresarial, nomeadamente com o combate à corrupção.

“Muitas vezes, o chamado corruptor é vítima também de corrupção. Ele é muitas vezes objeto de extorsão por parte de decisores políticos. Na política é ‘ou pagas ou não tens uma obra, compramos o equipamento militar a outro, ou compramos o equipamento informático a outro’. É assim”, argumentou.

“E eles têm de pagar e calam-se – e isto não é entendido muitas vezes pela opinião pública, que carrega o seu furor sobre o chamado corruptor, quando muitas vezes é vítima”, reforçou ainda o presidente do PDR.

“As empresas que mais prosperam num país onde há corrupção não são as que produzem melhor, são as que pagam mais comissões aos decisores políticos”, acusou Marinho e Pinto, que vai a votos para punir “este Governo” e outros responsáveis pouco “virgens”.

“Vamos para ser uma alternativa a este sistema”, garantiu: “Para punir todos os Governos que levaram o país a esta situação em que está, fosse do PSD/CDS, fosse do PS. Porque o PS não pode aparecer agora como uma virgem num bordel, dizendo que toda a culpa é dos outros. Não, o PS tem tantas responsabilidades (como eles) no empobrecimento do país, que está de mão estendida aos agiotas internacionais”.

O PDR, chegando ao Parlamento, será um pulso firme: “O Estado tem que moderar os excessos e suprir as suas insuficiências, porque o mercado não é perfeito. Essa ideia da mão invisível é um dos perigosos mitos do mercado. Há de facto muitas mãos invisíveis no mercado, a rapinar. Mas essa mão ordenadora, não”.

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