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Rosas avisa que “o Bloco veio para ficar e para vencer”

O fundador bloquista Fernando Rosas avisou hoje que o BE “veio para ficar e para vencer”, considerando que “têm razão para inquietação” aqueles que elegem o partido como um “alvo de estimação”.

O BE comemorou hoje os 20 anos do partido, assinalados em 28 de fevereiro, com um comício em Lisboa que juntou os fundadores Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas, a coordenadora, Catarina Martins, e a eurodeputada, Marisa Matias.

O primeiro dos fundadores a discursar foi Fernando Rosas, que lembrou que o partido, ao longo destas duas décadas, criou “inimigos de estimação” e que ainda não existia como Bloco e já diziam que “não aguentavam um ano”.

“Como este foi um caminho feito de vários sucessos e alguns insucessos, transformaram cada um destes na catástrofe iminente e quando a inanidade desses ataques se revelou total vêm queixar-se, imaginem, que o Bloco se tornou num partido social-democrata em desagregação”, atirou.

Se estes vaticínios tivessem razão de ser, prosseguiu Rosas, “então não teriam razões para tamanha inquietação”.

“E, no entanto, têm razão para inquietação e têm razão para nos elegerem como alvo de estimação. Somos uma esquerda socialista e anticapitalista que não desiste do propósito de mudar o mundo. Viemos para ficar e para vencer, para fazer a luta toda e como se dizia nas lutas do meu tempo daqui ninguém arreda pé”, avisou.

O historiador também recordou que foi dito que quando se esgotasse o acordo que permitiu a viabilização de um Governo minoritário do PS, o BE acabaria.

“E o programa não se esgotou e a luta continua e nós também”, contrapôs.

No palco do comício, que se realizou no Mercado de Culturas, em Lisboa, seguiu-se Luís Fazenda, que também se dirigiu àqueles que acusaram os bloquistas de terem baixado “a bola e cabeça à Comissão Europeia” com a aprovação de orçamentos.

“Nós não confundimos etapas na luta. Nós sabemos porque é que fizemos um acordo com o PS, sabemos como estamos a sair desse acordo com o PS, sabemos por onde continua a luta e ela tem um nó górdio”, respondeu.

A Europa, para o fundador do BE, “é o nó górdio do desenvolvimento social e político de Portugal” e os bloquistas sabem-no.

“Estão a menorizar todo aquele conjunto de direitos sociais, de direitos económicos e até alguns direitos políticos que o BE fez valer nesta aliança política, conjuntural e momentânea com o PS e com a companhia do Partido Comunista. Às vezes há uma certa dificuldade em definir aqui o papel convergente do Partido Comunista, mas creio que este é simpático para o efeito”, disse.

Para Fazenda, “não vale a pena desdenhar das pequenas conquistas que o BE conseguiu ensejar e materializar nesta aliança política que suporta um Governo minoritário”.

“Disse para aí uma esfinge que foi Presidente da República: “eles agora já não piam”. A verdade é que vamos piando mais e talvez seja por causa disso que estamos a ser mais contestados e talvez seja por causa disso que há uma redobrada atenção naquilo que possam ser as ideias, os conceitos, o caminho que o BE deve ter”, ironizou, referindo-se a Cavaco Silva.

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