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Revelação da OMS: Na Libéria, o Ébola está “fora de controlo”

ebola v02 A epidemia de Ébola na África ocidental continua a ganhar dimensões dramáticas. Na Libéria, a situação está “fora de controlo”, como admite a própria Organização Mundial de Saúde. A culpa está nas tradições locais de enterro e na negação por parte dos infetados pelo vírus.

A epidemia de Ébola na África ocidental, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já classificou como “emergência pública internacional”, está “fora de controlo” num dos países mais afetados, a Libéria.

À exceção das zonas próximas à capital, onde ainda existe um acompanhamento da situação, não há qualquer cuidado para evitar a propagação de um vírus cuja taxa de mortalidade ronda os 90 por cento.

O alerta foi dado por um especialista da própria OMS, que explicou os dois factores para o agravamento da epidemia: as tradições locais, em especial no enterro das vítimas que morreram devido à infeção viral, e a rejeição por parte dos pacientes da simples hipótese de terem contraído uma doença incurável.

“A negação é o pior, porque as crianças estão a morrer e precisamos nos proteger”, frisou Clement Peters, o assessor que a OMS enviou para a Libéria.

“O Ébola é uma doença contra devemos lutar unidos. Não há como negá-la. A negação está a prejudicar os esforços para combater a enfermidade”, insistiu o responsável, numa entrevista para a emissora de rádio da Missão das Nações Unidas na Libéria (UNMIL).

Para travar a epidemia, o primeiro passo passa por informar toda a população sobre a doença, de forma a que os primeiros sintomas de Ébola sejam reportados às autoridades sanitárias logo que detetados.

Peters explicou ainda que os enterros devem ser realizados sem contacto directo com os cadáveres, acreditando que grande parte do contágio tem sido ‘feito’ pelos mortos.

As afirmações do responsável da OMS foram contrariadas por alguns líderes tribais, que denunciam a falta de resposta nas regiões mais afastadas da capital, Monróvia.

Há casos de povoações onde os cadáveres de supostas vítimas de Ébola têm sido amontoados nas ruas.

Em algumas situações mais extremas, os corpos dos mortos estão a ser usados como bloqueios de estradas, em forma de protesto.

De acordo com os mais recentes dados, a epidemia do vírus descoberto junto ao rio Ébola, em 1976, já provocou 1013 mortos, estando infetadas 1848 pessoas.

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