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Realizador Costa-Gavras distinguido com prémio de carreira Jaeger-LeCoultre em Veneza

O realizador Costa-Gavras foi distinguido com o Prémio Jaeger-LeCoultre 2019 pelo Festival Internacional de Cinema de Veneza, e o seu novo filme será exibido na edição deste ano do certame, foi hoje anunciado.

De acordo com um comunicado da Bienal de Veneza, organizadora do festival, o filme “Adults in the Room” será exibido fora de competição, na 76.ª edição do certame dedicado ao cinema, que decorre entre 28 de agosto e 07 de setembro.

O prémio, recorda a bienal, é atribuído a “uma personalidade que tenha feito uma contribuição particularmente original para a inovação no cinema contemporâneo”.

O realizador francês de origem grega, de 86 anos, nascido em Loutra-Iraias, como Konstantinos Gravas, deixou a Grécia aos 22 anos para estudar em Paris, onde trabalhou com realizadores franceses como René Clair, René Clement, Henri Verneuil, Jacques Demy, Marcel Ophüls, Jean Giono e Jean Becker.

Foi distinguido com dois Óscares e prémios em Cannes e em Berlim, tendo realizado mais de duas dezenas de filmes, como “O Capital” (2012), sobre as origens da crise financeira, “Golpe a Golpe” (2005), uma efabulação a partir do desemprego, “O Quarto Poder”/”A Cidade Louca” (1997), centrado num repórter de televisão que aproveita um caso no museu de uma pequena cidade para atingir notoriedade, “O Enigma da Caixa de Música” (1989), sobre a identificação de um criminoso nazi, num velho imigrante europeu, nos EUA, “Atraiçoados” (1988), sobre uma agente do FBI, infiltrada no meio rural norte-americano, e “Missing”/”Desaparecido” (1982), sobre a queda da democracia no Chile, e o desaparecimento e assassínio dos opositores da ditadura, pelos fiéis do regime de Pinochet.

A cerimónia de entrega do prémio decorrerá a 31 de agosto, um sábado, na Sala Grande do Palácio do Cinema, em Veneza, às 22:00 locais, antes da estreia mundial do novo filme, uma coprodução franco-grega, interpretada por Christos Loulis, Alexandros Bourdoumis, e Ulrich Tukur.

“Há muitas razões pelas quais Costa-Gavras merece ser nomeado entre os grandes realizadores, mas há uma em particular: ele consegue transformar a política num assunto fascinante, não apenas para quem já é iniciado, mas para o público em geral, usando todos os meios disponíveis no cinema para tocar o maior número possível de espetadores”, disse o diretor do Festival de Cinema de Veneza, Alberto Barbera, citado no comunicado.

Referindo que Costa-Gravas tem sido sempre descrito como um realizador político porque sustenta que todo o cinema é político, Alberto Barbera sublinhou, colocando de lado o seu lado polémico, que o realizador sempre tentou reclamar para o cinema uma “fé sincera na democracia, num cinema que leve o espetador a questionar, e também a fazê-lo sentir emoções fortes”.

Salientou ainda o “profundo humanismo, liberdade, e o questionamento da submissão” nos filmes de Costa-Gravas, que é desde 2002 presidente da Cinemateca Francesa.

O novo filme de Costa-Gravas leva o espetador a um mundo em que as pessoas estão presas numa rede de poder, abordando o círculo do Eurogroupo e as suas reuniões, que impuseram um programa de austeridade à Grécia, de acordo com a apresentação da obra.

O filme é baseado no livro “Adults in the Room: My Battle with Europe’s Deep Establishment” (“Comportem-se Como Adultos: A Minha Luta Contra o ‘Establishment’ na Europa”, na edição portuguesa), de Yanis Varoufakis, o economista e político grego, que fez parte do Governo do partido Syriza, liderado por Alexis Tsipras, como ministro das Finanças, em 2015.

“Um relato extraordinário da astúcia no coração do resgate financeiro da Grécia”, de acordo com o cineasta e argumentista sueco Ulf Kjell Gür, na página dedicada ao filme.

“A Confissão” (1970), com base no livro homónimo de Artur London, sobre o sequestro de um dirigente da Primavera de Praga, “O Estado de Sítio” (1972), centrado no rapto de um agente norte-americano pelos Tupamaros, no Uruguai, são outras obras de Costa-Gavras, que marcou o iníco da carreira com longas-metragens como “A Orgia do Poder” (1972), a partir do romance “Z”, de Vasilis Vasilikos, e “A 6.ª Testemunha” (1965), a partir de um crime descrito por Sébastien Japrisot.

Jack Lemmon, John Shea e Sissi Spaceck, Gabriel Byrne, Dustin Hoffman, John Travolta e Alan Alda, Jessica Lange, Armin Mueller-Stahl e Frederic Forrest, Debra Winger, Tom Berenger e John Heard, Yves Montand e Simone Signoret são alguns dos atores com quem trabalhou ao longo do seu percurso.

O Prémio Jaeger-LeCoultre é entregue pelo 15.º ano consecutivo, e já distinguiu realizadores como Takeshi Kitano (2007), Abbas Kiarostami (2008), Agnès Varda (2008), Sylvester Stallone (2009), Mani Ratnam (2010), Al Pacino (2011), Spike Lee (2012), Ettore Scola (2013), James Franco (2014), Brian De Palma (2015), Amir Naderi (2016), Stephen Frears (2017) e Zhang Yimou (2018).

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